O PASTOREIO


O Cão Pastor como ferramenta de Manejo Pecuário

Algumas informações sobre Provas de Pastoreio

Cães de Pastoreio simplificam o trabalho e impressionam as pessoas

Criando um Bom Parceiro

Você é ou pretende ser dono de um Borde Collie?

Por que essa raça de Pastoreio se tornou imbatívelno Agility e outros esportes?

Nem todo Border Collie é um Border Collie

Apito para Border Collies

15 Coisas Que Todos Deveriam Saber Antes de Comprar Um Border Collie

Pastor ou Caçador de rebanhos?

Ferramentas de Trabalho - O Cão de Pastoreio

 


 

O Cão Pastor como ferramenta de Manejo Pecuário

 

“A função básica do cão de pastoreio é o arrebanhamento (agrupamento), a condução e, em certos casos, a proteção do rebanho. Assim, podemos levá-lo a exercer essa função em diversas situações e ambientes, sempre visando a otimização do trabalho.”

Estes são alguns aspectos gerais que devem ser observados para a utilização do cão como ferramenta de trabalho com rebanhos. São tópicos importantes á serem observados pelas pessoas que pretendem usar um cão em seu dia-a-dia de trabalho (pecuária).

O Cão – características idealizadas

“O cão perfeito ainda não nasceu. O melhor cão é aquele que atende as minhas necessidades”

Arrebanhamento e Condução em:

  • Pastagem
    Esta é certamente a situação na qual o cão pode demonstrar sua maior funcionalidade. Sob comando, ele pode executar a tarefa de agrupar (arrebanhamento) e posicionar o rebanho no local desejado pelo condutor, demonstrando eficiência e produzindo uma grande economia de tempo e esforço humano. Não importando as dimensões da área de pastagem o cão deverá percorrer lateralmente a distancia necessária para atingir o ponto inverso à posição do condutor (ponto de balanço) tendo o rebanho entre eles. Em certas situações é possível que, durante a circulação do rebanho, o cão já promova o inicio do agrupamento dos animais que estivarem mais dispersos. Após o agrupamento inicia-se a condução, esta pode ocorrer sob comando do condutor ou, de forma mais natural, “automaticamente” feita pelo cão. Devemos lembrar que a “pressão” feita pelo cão deve ser o elemento propulsor da movimentação do rebanho e que em pontos de estreitamento de área, como corredores, porteiras e cantos de cerca, temos a diminuição do fluxo de animais e a pressão para a movimentação deve ser proporcional. Em todo trabalho o baixo stress deve ser preponderante.

  • Manejo individual em campo
    O cão pode, ainda apoiar o aparte o e manejo individual em campo aberto. Com o posicionamento correto do cão e do condutor este pode identificar, separar e apanhar um ou mais animais de um grupo maior; realizar a imobilização e ações curativas, casqueamento, tosquia entre outras. O cão pode ser deixado em posição de apoio ao condutor em sua proximidade ou ficar responsável pela manutenção do agrupamento do outros animais.

  • Piquete de confinamento
    Devemos pensar que os conceitos gerais citados no item anterior são também aplicáveis em áreas menores e em piquetes de confinamento. Há também a possibilidade de trabalhar o cão em ponto de balanço invertido (Drive), ou seja, empurrando o rebanho para a posição inversa a do condutor ou ainda em movimentos transversos, isso por vezes é muito útil em pequenos piquetes ou em corredores entre piquetes. O nível de pressão e o posicionamento do cão devem ser ainda mais exigidos para que haja um trabalho eficiente.

  • Barracões, corredores e bretes (Embarque e transporte).
    Nos três casos aplicam-se conceitos e observações descritas nos dois itens anteriores, detalhando-se, ainda a situação recorrente nos corredores em que haja necessidade de mudança de direção do rebanho sem que haja espaço suficiente para o reposicionamento do cão. Neste caso é importante o planejamento prévio dos movimentos de flancos e de bloqueio do rebanho a serem executados pelo cão ou pelo condutor.

Manejo do rebanho

Grupos por idade

  • Borregos ao pé
    Normalmente os borregos não reconhecem a função do cão. Em uma situação de extrema pressão eles podem apresentar stress excessivo ou buscar a fuga descontrolada, fato que pode ocasionar lesões graves.
    As matrizes tornam-se muito cuidadosas na proteção dos borregos e, mesmo rebanhos “quebrados”, podem confrontar o cão que, sem controle pleno, pode causar danos consideráveis a matriz, portanto a escolha do cão e introdução deste no rebanho deve ser muito criteriosa.

  • Desmame / cordeiros
    Talvez a situação mais crítica seja os primeiros contatos entre os recém desmamados e o cão pastor. Deve-se tomar muito cuidado com o cão que fará este trabalho de iniciação do rebanho. A utilização de cães experientes e que trabalhem com a pressão do olhar e sem contato físico (mordida) é o mais recomendado, o procedimento do condutor deve ser calmo e de extremo controle sobre as atitudes do cão. Recomenda-se, ainda, a utilização de alguns animais adultos já quebrados para servirem de referência aos mais jovens. A área deve ser segura e adequadamente cercada, ambientes extremamente grandes ou muito pequenos podem prejudicar a ação do cão (ações mais abruptas) e a confusão pode se instalar. Subdividi-los em grupos menores também pode facilitar.
    Por outro lado, um trabalho criterioso nesta fase proporcionará uma grande economia de tempo de trabalho nos momentos futuros. Os cordeiros aprendem rapidamente a respeitar o cão e facilmente cooperarão com ele pelo resto do tempo em que estiverem sob os cuidados do criador.

  • Cordeiros para abate
    É notório que o stress é um elemento altamente desfavorável para o regime de ganho de peso. Assim, a utilização do cão pastor deve ser pautada por uma conduta disciplinada e o menos stressante possível. Se os borregos não tiveram a oportunidade de terem contato com o cão pastor em seu primeiro período de vida (rebanhos adquiridos), se faz necessária a “apresentação” destes ao cão. Isso deve ser feito aos poucos se mantendo um ambiente calmo no qual o rebanho ceda a pressão do cão e vá se apercebendo que sua presença significa “condução” e não ameaça. Este é um ponto polemico, pois é sabido que esses dois animais se encaram como caça e caçador e, por isso, as mudanças não ocorrem rapidamente. O procedimento geral se assemelha ao citado no item anterior (desmame / borregos), porém com prazos mais longos para a adaptação.

  • Fêmeas prenhes
    Cuidados redobrados.É isso que permeia a conduta com as fêmeas prenhes em todos os aspectos do manejo. Com a presença do cão pastor não será diferente. Conduções tranqüilas, dando tempo para uma locomoção no ritmo exigido por cada animal. o Situações de stress não são recomendadas, porém a presença do cão bem conduzido é totalmente aceitável.

  • Padreadores / Rufiões
    Enfrentamento, essa é a palavra de ordem entre grande parte destes animais e os cães. No entanto, um trabalho de adaptação conduzido com firmeza e segurança promove bons resultados. A presença do cão bem conduzido é totalmente aceitável.

Aspectos práticos

  • A questão do custo de implantação e manutenção do projeto. Como ocorre a otimização do tempo e da mão-de-obra.
    1. Menor tempo gasto com arrebanhamento e condução dos animais; tempo este que poderá ser empregado em outras atividades.
    2. Menor esforço físico realizado pelos trabalhadores; maior disponibilidade para outras atividades.

  • O cão substitui o funcionário?
    1. A otimização do tempo e da disponibilidade da mão-de-obra pode evitar a necessidade de novas contratações ou a ocorrência de horas-extras de serviço.
    2. A atividade de arrebanhamento e condução fica apoiada pelo cão que se torna um elemento facilitador. Porém, a presença do condutor é fundamental para a organização das ações de manejo ou mesmo em relação às ações atribuídas ao cão, ou seja, o cão arrebanha e conduz, o restante do manejo exige a presença do ser humano.

  • Quanto custa ter um cão?
    Há uma variação muito grande de custos em função de diversos aspectos como:
    - Cria e recria / compra.
    - Alimentação e medidas sanitárias.
    - Treinamento.
    - Adaptações necessárias em cada propriedade.
    - Área geográfica.

  • Quantos cães são necessários para o trabalho?
    O número pode variar em relação a:
    - Volume de trabalho (intensidade e peridiocidade).
    - Tipo de rebanho (espécie, número, nível de confrontação).
    - Condições climáticas.
    - Condições físicas e sanitárias.

Canil Wolf´s Garden - www.nossocanil.com.br
Divisão de cursos, treinamentos e adestramentos

Fonte: The DOG TIMES - www.dogtimes.com.br

 


 

ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE PROVAS DE PASTOREIO


As “Provas de Pastoreio” são destinadas para testar o treinamento, o instinto dos cães pastores e as habilidades de seus condutores na execução dos trabalhos de pastoreio. O percurso da prova é uma simulação das tarefas diárias encontradas no trabalho com rebanhos nas fazendas, e o juiz avalia a equipe cão / condutor em relação a capacidade que eles tem de completar estas tarefas. As provas são um esporte informal, e no começo de uma prova o juiz explica aos condutores como as tarefas devem ser desempenhadas. Por causa disto, é impossível definir precisamente em que consistirá a “Prova de Pastoreio”, mas o que segue fornece uma pequena descrição dos desafios usualmente incluídos nas diversas classes:


OUTURN (CORRIDA): No começo de cada corrida, o condutor e seu cão deverão tomar suas posições no local definido como base. Esta posição deve se manter “fixa” até que todo trabalho de reunir / trazer e empurrar estiver terminado. Na “OUTURN” o cão pode ser posicionado tanto na direita como na esquerda e cada cão deverá fazer o percurso com abertura, traçado em forma de arco ou pêra até a posição atrás do rebanho. Se o cão cruzar o campo de prova entre o condutor e o rebanho seu escore está severamente penalizado. Também serão descontados pontos se o condutor precisar dar comandos adicionais para direcionar o cão para o rebanho.


LIFT (LEVANTE): O “LIFT” pode ser descrito como o contato inicial do cão com o rebanho quando ele começa trazer os animais para o condutor. Deve ser cauteloso, calmo, em direção ao condutor e feito de uma maneira que não deixe duvidas de que o cão está com o controle do rebanho. Pontos serão descontados se o cão demonstrar indecisão ao tomar o comando da situação, levantar o rebanho lateralmente ou se o cão chegar no rebanho muito forte ou rápido.


FETCH: O “FETCH” deve ser uma linha o mais reta possível do ponto onde o cão “LIFTED” (“LEVANTOU”) o rebanho até o condutor. Desvios, ziguezagues, ou variações desta linha imaginaria causarão perda de pontos. O passo deve ser constante, através dos comandos de direção quando necessários. Entretanto, o cão que mostra o balanço natural no “FETCH”, requerendo poucos comandos adicionais geralmente ganhará escores mais altos que o cão que permite o rebanho desgarrar “fora da linha”.


DRIVE: Dependendo sobre como o trajeto da prova é disposto, o “DRIVE” começa depois que o cão trouxer o rebanho para o condutor e contornar atrás dele. O “DRIVE” é usualmente em formato triangular. O cão “DRIVE” (“EMPURRA”) o rebanho para longe do condutor em direção ao primeiro conjunto de painéis ou portões. Idealmente, o cão irá conduzir o rebanho pelo centro do obstáculo, fazer uma virada fechada com o rebanho fazendo a volta por traz do painel, conduzir transversalmente em linha reta para o segundo conjunto de painéis, novamente executar uma virada fechada com o rebanho fazendo a volta por trás do painel e depois trazer em linha reta de volta para o condutor. O juiz procura um bom passo, nem tão devagar e nem tão rápido, o condutor e o cão trabalhando em conjunto para manter as ovelhas sobre a linha imaginaria de um obstáculo ao outro, e o cão levando o rebanho por dentro dos obstáculos. Se o cão não passar os animais por dentro do obstáculo, pontos serão perdidos e o cão continua o percurso, não haverão novas tentativas para passar por dentro dos obstáculos uma vez que as ovelhas passarem do plano dos painéis. O padrão para o “DRIVE” varia bastante quando o gado está sendo trabalhado, dependendo da área que está sendo utilizada e do tipo de gado disponível. As vezes o “DRIVE” é montado como nos percursos com ovelhas enquanto em outros casos o “DRIVE” pode ser dentro de uma mangueira ou diagonalmente através de uma arena.


PEN: Depois que o cão e as ovelhas passarem pelo ultimo obstáculo do percurso de “DRIVE” o condutor pode deixar seu posto e prosseguir em direção a PEN (“ENCERRA”). O portão tem uma corda atada e é a qual o condutor irá segurar do momento em que ele abre o portão até o momento em que todas as ovelhas forem encerradas. O condutor irá perder pontos se ele tocar nas ovelhas de qualquer maneira ou empurra-las com o portão. O juiz descontará pontos se o condutor fizer a maior parte do trabalho na “PEN”. O cão e o condutor deverão trabalhar em conjunto, facilitando a entrada das ovelhas no cercado. Se as ovelhas e o cão circundarem todo o cercado uma ou mais vezes uma maior dedução é feita sobre os pontos possíveis. Todas ovelhas deverão estar na encerra e o portão fechado antes que o condutor possa ir para a próxima fase da prova. Quando está sendo utilizado gado, a encerra poderá freqüentemente ser aberta, encerra de três lados construída com painéis grandes. Se não tiver portão, o gado deverá estar completamente dentro do espaço aberto antes que o juiz considere o rebanho encerrado com sucesso.


SHED: Depois de “PEN” (“ENCERRA”), o cão e o condutor tem que “SHED” (“APARTAR”) uma ovelha dentro de uma área designada. O cão deve estar em completo controle e seu trabalho deve ser deliberado e decisivo. Novamente, trabalho em conjunto é necessário para este exercício. O condutor tenta geralmente “alinhar” sua ovelha, permitindo que a primeira parte do grupo comece a ir embora. Tão logo uma brecha razoável aparece à frente da cabeça da ultima ovelha, o cão deve vir e “tomar o controle”. O juiz irá dizer ao condutor quando uma “SHED” (“APARTAÇÃO”) satisfatória tiver sido completada.

A participação termina quando o percurso é completado, ou quando termina o tempo limite determinado pelo juiz. Cães podem ser desclassificados por atitudes como agarrar (desnecessárias mordidas no rebanho) ou por permitir que o rebanho desvie completamente o percurso da prova. Cada parte do percurso tem um número determinado de pontos e o juiz desconta pontos por erros cometidos pelo cão e/ou pelo condutor. A severidade dos descontos vão depender sobre a distância do “ideal” do juiz e as divergências realizadas pelo conjunto cão/condutor.

TERMOS USADOS EM TREINAMENTO PARA PASTOREIO COMANDOS BÁSICOS

•  DOWN, LAY DOWN, HO -> Um comando de parar, mesmo em uma corrida rápida.
•  GET BACK -> Afastar-se do rebanho, o cão esta muito perto.
•  WALT ON, STEADY -> Diminuir o passo, o cão está movimentando o rebanho muito rápido.
•  THAT'LL DO -> Um comando de chamada que significa: “Termine com o que você está fazendo, não interessa o que, e venha até a mim”.
•  COME BY, GO BY -> Para mandar o cão pela esquerda dele, no sentido horário.
•  WAY TO ME, AWAY TO ME -> Para mandar o cão pela direita dele, no sentido anti-horário.
•  THERE -> Para virar, entrar no rebanho e mover calmamente, mesmo passo em qualquer direção que o condutor exigir.

AS CATEGORIAS EM UMA PROVA DE PASTOREIO

 

NOVICE

Usualmente para jovens cães, com 24 meses de idade ou menos. Em alguns locais dos Estados Unidos a categoria de “NOVICE” (“NOVATO”) está disponível para condutores novatos com cães novatos, considerando sempre a idade do cão. Uma vez que o cão venha a competirem uma categoria mais avançada, não é permitido competir novamente na categoria “NOVICE”. O percurso da categoria usualmente consiste em “OUTURN”, “LIFT”, “FETCH”, “PEN”.


RANCH OU PRO-NOVICE

Essa categoria está disponível para condutores que podem ser profissionais ou novatos, para quem esta conduzindo tanto um cão com mais de 24 meses de idade ou que já competiu em uma categoria acima de “NOVICE”, se menor que 24 meses de idade. O percurso tem geralmente tem “OUTURN”, “LIFT”, “FETCH”, “TURN AROUND THE HANDLER” (“PASSAR ATRAS DO CONDUTOR COM O REBANHO”), “ONE LEG OF THE DRIVE” (“UMA PERNA DO” DRIVE”) e “PEN”.

 

OPEN

Esta categoria é para cães mais experientes com bastante treinamento. O percurso na categoria “OPEN” consiste em “OUTURN”, “LIFT”, “FETCH”, “COMPLETE DRIVE” (“DRIVE COMPLETO”), “PEN” e “SHED”.

 

Bibliografia
Canil Buckaroo Kelpies – Nevell King – Gulgong-NSW-Australia
Escrito por: CANIL GUSDI KELPIES - Luis Gustavo V. Dionisio

 


 

Cães de Pastoreio simplificam o trabalho e impressionam as pessoas


MISSISSIPPI STATE - "Walk up", "steady", "lie down" e "that'll do". Frases simples ditas suavemente por uma pessoa e o cão de trabalho pastoreia um grupo de animais como um expert. Na verdade, às vezes o cão é realmente um expert, mas frequentemente o verdadeiro cérebro do trabalho são os comandos ditos por um pastor experiente a seu amigo canino.

Leroy Boyd, professor de ciência animal e de gado de leite na Mississippi State University, treina Border Collies desde 1978 e ajudou a treinar condutores também. "O border collie é uma das raças caninas mais inteligentes. Seu instinto natural é cercar e trazer animais", disse Boyd. "O condutor é importante quando se quer mover os animais em direções diferentes da esperada".

Boyd disse que a pessoa e o cão devem reconhecer a distância correta entre o cão e os animais e a velocidade em que se movem. O problema mais comum é tentar lidar com um cão entusiasmado demais. "Sua genética os faz querer pastorear, mas eles não sabem ainda como fazê-lo", disse Boyd. "O condutor tem de ajudar o cão a se posicionar e movê-lo para as posições certas".

Bob Owen, treinador de cães aposentado em Oxfor, disse que a paciência do condutor é a chave de tudo. "Se você não tem paciência, você pode destruir um cão bem treinado", disse Owen. Os espectadores ficam espantados ao ver os cães atenderem comandos para ir para a esquerda ou direita mais rápidos do que muitas pessoas poderiam reagir. Owen disse que assim como com crianças, a resposta é a repetição. Enquanto parte da habilidade para o pastoreio é o instinto, o treinador aperfeiçoa a técnica. Cães aprendem mais com pessoas que conhecem o trabalho, não trabalhando com outros cães experientes. "A principal coisa que um cão jovem vai aprender com um mais velho são os maus costumes", disse Owen.

Leslie Scruggs, de Starkville, treina border collies que podem ser usados para pastorear gado, ovelhas, aves ou ainda crianças. Border Collies são também frequentemente usados em apresentações e provas. "Mais pessoas os usam para trabalho do que para shows", disse Scruggs. "Eles são ideais para trabalhar com gado de leite que precisa ser levado para um celeiro duas vezes por dia para tirar leite. Um fazendeiro pode apenas mandar o cão e ele saberá exatamente o que fazer sem supervisão".

Border collies conquistaram a reputação de cães pastores trazendo ovelhas para áreas protegidas à noite,onde predadores como os coiotes e cães selvagens não podiam atacá-los.

"Ser um border collie não garante que o cão necessariamente será um bom pastor. Você deve observar a linha de sangue, especialmente a mãe, para ver se tenderá a ser um bom pastor", disse Scruggs. "Alguns são melhores para exposições ou pets do que para o trabalho".

Com as provas caninas ganhando popularidade, Scruggs está ajudando a organizar um evento no próximo outono no Agricenter da MSU. O II Anual Golden Triangle Regional Fair terá provas de pastoreio junto com outros eventos especiais. "As pessoas estão conhecendo melhor os cães de pastoreio e apreciando as habilidades envolvidas, tanto por parte do cão como do condutor", disse Scruggs.

Comandos de pastoreio

Sheep - atrás dos carneiros
Cow - atrás dos bois
Lay down - deitado
Stay there - parado
Walk up - levantar e andar
Steady - devagar
There - local para onde deve levar o rebanho
Come by - acesso em sentido horário em direção ao rebanho
Away - acesso em sentido anti-horário em diração ao rebanho
That'll do - pare tudo e venha para cá

Autora: Linda Breazeale

 


 

CRIANDO UM BOM PARCEIRO

 
É cultural; não temos o cuidado consciente de moldarmos nossos atos para construirmos e conduzirmos relações fortes, duradouras e realmente produtivas. Nos debatemos com as situações conflitantes, inerentes as novas relações, sem promover a clareza necessária de nossos anseios e de nossas contribuições.
Nossas relações com nossos animais também são assim. Definir objetivos dessa relação “comunicá-los” ao cão por meio de uma linhagem accessível são pontos fundamentais (principalmente durante a recria) para que tenhamos a formação de um animal emocionalmente saudável e pronto para um convívio agradável em nosso dia-a-dia.
Quanto à linguagem citada, se faz necessário desenvolver a capacidade de comunicar-se com o cão na linguagem dele, considerando os valores e organizações sociais da “matilha”, buscando traze-los ao nosso mundo comunicativo a partir dos moldes de comunicação inerentes a eles e que podem ser observados, estudados e utilizados por nós. Força-los ao entendimento rápido e objetivo de nossos valores e modos de comunicação é humaniza-los demais, é fazer com que percam, rapidamente, suas características mais diferenciadas e mais admiráveis, é “arrasta-los” para nosso nível e não “traze-los” ao nosso convívio.

DONO DE UM CÃO.
 
A banalização da posse de um cão é, definitivamente, algo notório.
“Comprar um cão” é hoje, mais do que nunca, um ato de puro consumismo e modismo. As conseqüências desses fatos também são evidentes: abandono (em muitos casos dentro do próprio lar), maus tratos, doações desesperadas, etc.
Discussões acaloradas sobre a elaboração de leis que promovam a posse responsável mostram pouca eficiência prática em um país onde leis “pegam” ou deixam de “pegar”, em função da falta de responsabilidade das instituições e da própria população.
Desta forma, a informação e, obviamente, a busca por ela se mostra como único caminho efetivo para resolvermos essa questão.
Para tanto, proponho a observância de alguns elementos indispensáveis, como:

1. Reconhecimento efetivo do modo de vida e das necessidades de um cão enquanto animal de uma espécie distinta, sem interferências de nossas tentativas de “humanizá-lo” (a humanização do cão merecerá observações mais apropriadas).

2. Conhecimento sobre as diversas raças existentes (ao menos as de interesse imediato), pois, cada qual apresenta particularidades relativas ao item 1.

3. Objetivar a função do cão no dia-a-dia das pessoas que com ele conviverem, bem como os níveis de responsabilidade destas para com ele.

É cultural; não temos o cuidado consciente de moldarmos nossos atos para construirmos e conduzirmos relações fortes, duradouras e realmente produtivas. Nos debatemos com as situações conflitantes, inerentes as novas relações, sem promover a clareza necessária de nossos anseios e de nossas contribuições.
Nossas relações com nossos animais também são assim. Definir objetivos dessa relação “comunicá-los” ao cão por meio de uma linhagem accessível são pontos fundamentais (principalmente durante a recria) para que tenhamos a formação de um animal emocionalmente saudável e pronto para um convívio agradável em nosso dia-a-dia.
Quanto à linguagem citada, se faz necessário desenvolver a capacidade de comunicar-se com o cão na linguagem dele, considerando os valores e organizações sociais da “matilha”, buscando trazê-los ao nosso mundo comunicativo a partir dos moldes de comunicação inerentes a eles e que podem ser observados, estudados e utilizados por nós. Forçá-los ao entendimento rápido e objetivo de nossos valores e modos de comunicação é humanizá-los demais, é fazer com que percam, rapidamente, suas características mais diferenciadas e mais admiráveis, é “arrastá-los” para nosso nível e não “trazê-los” ao nosso convívio.
Se tê-los em nosso universo de convívio já é algo que merece correção, imagine levá-los a serem participantes de nossas atividades produtivas ou desportivas. Polir as pré-disposições de determinados indivíduos caninos (ou raças) , em nosso beneficio, é algo a ser muito bem pensado. Esse animal se colocará a nossa disposição. Sem entendimento próprio, estará pronto a nos servir, nos acompanhar, nos proteger, nos obedecer, se expor ao riscos em nosso nome e em nome de nossos objetivos. Tal serviciencia pode ser fatal para o individuo canino ou mesmo para uma raça inteira. Daí a importância de se ter responsabilidade plena pela presença de um desses animais em nosso dia-a-dia.

Escolhendo Um Filhote.

A escolha de um filhote com pedigree, aumenta as suas chances de adquirir um cão com boas habilidades de trabalho. A maioria dos criadores que possuam estes tipos de animais lhe darão garantia como, a devolução do dinheiro ou outro animal no caso de algum problema.
Por essa razão, a escolha do filhote deve ser cautelosa e sem pressa. Procure nos pais as habilidades que você gostaria de ter no seu filhote. É a maneira mais fácil, além de ter maior chance de adquirir boa genética.

 


 

Você é ou pretende ser dono de um Borde Collie?

 

Você é ou pretende ser dono de um Borde Collie? Muito cuidado! A "raça mais inteligente do mundo" não é pra qualquer dono! Toda essa inteligência pode ser usada contra você!
Pense num carro de Fórmula 1. Todo mundo que adora carros sonha em poder “dirigir” um carro destes, mas a despeito de toda a tecnologia, potência, velocidade e precisão (ou justamente por causa destas qualidades), quantos são realmente capazes de pilotar e controlar um carro destes?
Esse cachorro encantador é de fato muito inteligente, aprende com rapidez tudo que seu dono ensina e também tudo que ele não ensina!
O Border é ótimo para aprender apenas observando o dono, assim são experts em abrir portas, apagar luzes, podar plantas (a sua moda, claro!) tudo somente observando seu dono. Com donos "novatos" o Border pode se tornar facilmente manipulativo e teimoso.
Costumam ser bem mais precoce que outros cães, com apenas 3 ou 4 meses um border bem motivado já pode obedecer a ordens como senta, deita, junto, pare e venha. Além disso, são ótimos em compreender situações e tentar resolvê-las. São cachorros que estão o tempo todo procurando algum problema para resolver, ou algum trabalho para executar.
Juntando toda essa energia, capacidade de aprender e vontade de trabalhar, o Border acabou tornando-se uma das melhores raças para Agility. Sua estrutura ágil e seu corpo um pouco mais comprido que alto reúne as características mais desejadas para este esporte.
Além de obediente, ativo e ágil, o Border também é muito resistente. Isso explica porque é um pastor de ovelhas tão eficiente. A forma que o Border encontra para conduzir suas ovelhas é usando seu olhar firme para intimidar as ovelhas diferente da maioria dos cães pastores que dão pequenas mordidas no calcanhar, apesar disso, costumam "pastorear" crianças ou mesmo adultos com mordidinhas nas pernas e calcanhares.
Em outras palavras, se não forem muito bem treinados, transformam-se facilmente em verdadeiras pestes.
Agora vamos ao que interessa: como se comporta um Border em um apartamento ou em uma casa na cidade? Na grande maioria das vezes tornam-se cachorros de difícil convivência, porque não param nunca, estão sempre querendo que seus donos arrumem algum trabalho para realizarem, que pode ser jogar bolinha, brincar de pegar pelo jardim ou brincar com a luz de uma caneta de laser à noite. Adoram pastorear outros cães, passarinhos, pombas, coelhos e até crianças. O problema da raça é que não basta gastar 1 hora por dia jogando bolinha ou exercitando-o. Este cão está preparado para trabalhar 18 horas por dia sem parar. Pouco exercitados e sem um trabalho pra fazer eles se tornam destrutivos, hiper-ativos e até neuróticos. Eles podem acabar com os nervos de qualquer um com seu comportamento obsessivo. Se você pensa em ter um cachorro quietinho, ou que brinque sozinho, esqueça o Border Collie, ele precisa de estímulo mental e interação com seu dono. Se deixados sem estímulos eles podem desenvolver comportamento compulsivo como perseguir a própria sombra, correr atrás de reflexos, perseguir bicicletas, motos, skates, etc.
Se por um lado estes cães precisam de muito exercício físico, é preciso estar sempre atento e tomar cuidado para que seu amigo não fique exausto. Não é raro que os BC ignorem sinais de cansaço e continuem “trabalhando” muito além do que deveriam. É importante fazê-los parar, especialmente em dias quentes e abafados. Quando estão interessados em alguma coisa ou envolvidos num "trabalho", ficam quase totalmente alheios ao mundo a sua volta a menos que sejam bem treinados para obedecer ao seu dono.
No convívio com outros cães o BC também é um capítulo à parte. Normalmente eles vivem muito bem com os cães da família, mas com cães estranhos eles são dominantes e territoriais. Isso não quer dizer que eles são excessivamente agressivos, e que saem atacando cachorros pelas ruas, mas se um cão se aproxima muito do que um BC considera seu território, ou mesmo de seu dono, ele irá mostrar os dentes e deixará claro que não quer esta aproximação. Socialização é muito importante para quem quer passear com o seu Border Collie pelas ruas.
Com os donos eles são carinhosos e devotados. No entanto duas observações precisam ser feitas. A primeira (e nunca é demais reforçar), é que pelo fato de ser inteligente, não quer dizer que o BC seja automaticamente obediente, nem que possa ser deixado sem treinamento. A segunda é que devido a sua alta sensibilidade é preciso ter cuidado em não forçar demais o filhote, nem ser bruto ou muito ríspido com ele. É comum que os filhotes de BC demorem um pouco mais do que as outras raças para se ligarem aos seus donos. No entanto se o dono for carinho e paciente com este filhote, existe um momento mágico quando a ligação entre dono e cão se faz e é para sempre.
Outra característica bastante típica da raça é sua alta sensibilidade a sons. Facilmente treinado para reconhecer diferenças sutis de comandos através de assobios e chamados, o Border fica susceptível a desenvolver fobias com barulhos de fogos de artifício e trovão. Mais uma vez a socialização é importante em função desta sua ultra-sensibilidade a sons, movimentos e tudo o que os cerca. Devido a esta sensibilidade eles podem ficar bastante estressados em situações que consideram ameaçadoras, ou tensas, reagindo desde forma tímida até de forma agressiva. Sendo socializado e treinado para obediência fica muito mais fácil para ele se concentrar e se controlar.
Em canis e hospedagens é preciso cuidado redobrado, pois são reis em escapadas. Saltam muros sem o menor esforço, escalam grades, aprendem a abrir fechos e maçanetas.
Se por um lado o Border Collie é muito inteligente, por outro treiná-lo pode ser um desafio para aqueles que não atentos à sensibilidade natural da raça. Usar de força bruta e métodos duros com um border Collie pode torná-lo simplesmente distante e desinteressado. É muito fácil deixá-los “magoados”. É preciso ser constante, metódico e usar de técnicas motivacionais para se conseguir um resultado a altura deste cão. Alguns se dão super bem com criança, enquanto outros não ficam muito a vontade com movimentos e voz típicos de criança.
No livro The Intelligence of Dogs de Stanley Coren o Border Collie ocupa a 1ª posição entre as raças mais inteligentes. Ainda segundo o autor, isto significa que eles estão entre as raças mais brilhantes em termos de obediência e também na execução de tarefas de trabalho. A maioria dos cães destas raças já demonstram sinais de compreensão de comandos simples após apenas 5 repetições e não precisam de muita prática para manter estes comandos. Quando os donos pedem para eles executarem alguma tarefa, eles obedecem logo da primeira vez em cerca de 95% dos casos, e, além disso, eles costumam responder a estes comandos apenas alguns segundos depois de solicitado, mesmo que o dono esteja longe fisicamente.
Com essa cara de vira-lata e a fama de ser a raça de cachorro mais inteligente, o Border está começando a ficar bastante conhecido no Brasil, especialmente depois do filme "Babe, o Porquinho Atrapalhado". Sua origem está diretamente relacionada a sua função mais importante, o pastoreio.
Embora a sua ancestralidade seja pouco conhecida, acredita-se que os exércitos Romanos trouxeram cães pastores que foram possivelmente envolvidos no desenvolvimento do Border Collie de hoje, quando invadiram a Grã Bretanha cerca de 55 antes de Cristo. Por volta do ano 794 estes cães teriam sido cruzados com um outro tipo de cão pastor, menor e com aparência do Spitz, trazidos por invasores Vikings. Deste cruzamento teriam surgido cães mais ágeis, com marcações brancas, adequados para o terreno difícil e montanhoso da Escócia.
Descrições mais detalhadas de cães pastores com um tipo muito semelhante ao Border Collie são encontradas em manuscritos do Doutor Johannes Caios, chamado "Treatise on English Dogges" de 1576.
O Border como é conhecido hoje é originário da região entre a Escócia e a Inglaterra. As primeiras referências em literatura datam de 1570, quando eram conhecidos com diversos nomes, entre eles Collie de Trabalho, Collie de Fazenda e Collie Inglês. Em 1915 foram chamados pela primeira vez de Border Collie. A palavra Border quer dizer fronteira em inglês e Collie não é exatamente conhecida podendo ter origem na palavra celta “coalley" que significa "preto", na palavra galesa "coelius" que significa "leal", ou no nome de uma raça de ovelhas escocesas “coelley".
Por ser um cachorro essencialmente de trabalho, suas características físicas sempre foram colocadas em segundo plano. A criação do Border sempre foi voltada para exemplares mais aptos ao trabalho, ou seja, os criadores preferiam acasalar os cachorros com melhor desempenho para o trabalho sem se preocupar tanto com aspectos físicos. Por conta disso muitos criadores não registram seus animais nos kennels e sim em clubes especiais para a raça, e muitos deles levam seus cachorros para participar de competições de pastoreios sem se preocupar em colocá-los em pista de competições de beleza e estrutura.
Entretanto cada vez mais o Border Collie vem sendo utilizado para outras finalidades que não o pastoreio. Hoje em dia é fácil encontrar vários deles em provas de Agility , na maioria das vezes com excelentes colocações. Nas exposições de beleza o número de Borders também aumenta todos os anos assim como os registros da raça nos kennels.
Aliás, o ingresso do Border Collie nos shows de conformação já gerou e ainda gera muitas controvérsias, especialmente nos Estados Unidos.
Em 1955 o American Kennel Club (maior entidade cinológica dos EUA) incluiu o Border Collie no grupo Miscelânea, que significa que a raça não participa dos shows de conformação, mas podem participar de competições de obediência, entre outros eventos oficiais.
Na Inglaterra eles foram reconhecidos oficialmente em 1976, e apenas em 1994 a raça foi totalmente reconhecida pelo AKC, podendo então participar dos eventos de beleza e conformação Norte Americanos.
Muitos fãs da raça não gostaram da notícia, temendo que a participação da raça em shows de conformação iria lentamente afastá-la da sua função original e mais importante: o trabalho de pastoreio. Além disso, eles temiam que com a popularização da raça os BC iriam sofrer com o crescimento no número de criadores e com os cruzamentos indiscriminados, resultando na perda de qualidade da saúde física e do temperamento destes animais.

Tamanho: Pelos padrões da FCI (Federação Cinológica Internacional) os machos devem ter 53cm na cernelha e fêmeas ligeiramente menores, sendo que o peso ideal não é citado. Pelos padrões do AKC (American Kennel Club) a altura ideal é entre 45,7 cm e 56 cm na cernelha, com peso ideal entre 14 kg e 20,4 kg , podendo variar entre 11,3 kg e 25 kg .

Aparência: O cão deve ter silhueta suave, bem proporcionada, com graça e equilíbrio, combinado com substância suficiente para conferir uma impressão de resistência. Existe uma grande diferença entre a aparência geral dos BC de exposição e os de trabalho. Os cães de exposição possuem uma postura ereta típica, com a cabeça carregada alta e uma aparência “quadrada”. Os cães de trabalho, por sua vez, carregam a cabeça baixa, perto do chão, a traseira é mantida alta e o rabo entre as pernas, dando a impressão de estar (e está mesmo) pronto para mudar de direção a qualquer momento.

Pelagem e cor: Nos shows de conformação são aceitas duas variedades de pelagem, moderadamente longa e lisa. Em ambas deve ser densa e de textura média com subpêlo macio e denso fornecendo boa proteção contra variações climáticas. Na variedade moderadamente longa a abundância de pêlos forma uma juba e culotes. Qualquer variedade de cores é permitida, o branco jamais deve ser predominante.

Cabeça: Crânio razoavelmente largo, occipital não pronunciado. Sem bochechas cheias ou arredondadas. Focinho afinado para a trufa, moderadamente curto e robusto. Crânio e focinho aproximadamente do mesmo comprimento. Stop bem marcado. Trufa preta exceto para os exemplares de cor marrom ou chocolate (pode ser marrom) e nos azuis (trufa cor de ardósia). Olhos devem ser bem separados de formato oval e tamanho médio de cor marrom, exceto nos exemplares merle quando um ou ambos os olhos podem ser azuis. Expressão esperta, suave, alerta e inteligente. As orelhas têm tamanho médio, inseridas bem separadas. Portadas eretas ou semi-eretas e de audição muito sensível. Boca com max ilares e dentes fortes, com mord edu ra tesoura perfeita, regular e completa (não é permitida a falta de dentes).

Cauda: Moderadamente longa, alcançando, no mínimo, o nível dos jarretes. De inserção baixa, bem peluda e com a ponta voltada para cima, conferindo um gracioso contorno e equilíbrio ao cão.

Expectativa de vida: De 12 a 15 anos. O Border Collie costuma ser um cão bastante saudável, as doenças mais comuns à raça são a distrofia de retina (RPED - Retinal Pigment Epitelial Distrophy), uma doença hereditária que ocorre devido ao deposito de melanina e pode aparecer depois dos três anos e também são sujeitos a CEA (Anomalia do Olho do Collie) um descolamento da retina, que aparece bem cedo e resulta em sangramentos e cegueira. Alem disso estão sujeitos a displasia coxofemoral (anomalia no encaixe do fêmur e da bacia) e displasia de cotovelo.

Existe ainda uma doença, especialmente nos Borders de linhagem Australiana, que provoca o depósito de resíduos de produtos no cérebro do cão, durante a infância, causando deficiências físicas e mentais, inclusive levando a ataques de fúria.

Um outro detalhe importante com relação à saúde da raça é que eles, como os collies, não podem receber uma droga bastante conhecida e utilizada para prevenção da Dilofilariose (verme do coração) a IVERMECTINA.
Não precisam de banhos muito freqüentes, um banho por mês e escovações diárias costumam ser o suficiente para mantê-los sempre limpos e sem cheiro.

 


 

POR QUE ESSA RAÇA DE PASTOREIO SE TORNOU IMBATÍVELNO AGILITY E OUTROS ESPORTES?

Embora desenvolvida com um só objetivo, o pastoreio com rebanhos, a raça Border Collie se revelou competitiva em inúmeras outras atividades, sendo que eu algumas é insuperável. Por que? O que faz dela uma raça cada vez mais admirada e criada? Como pode um cão de trabalho superar em atividades esportivas raças desenvolvidas especificamente para esportes? Porque a seleção para o pastoreio acabou por capacitá-la como uma raça de alta performance esportiva?

Como e onde surgiu essa raça extraordinária ?

Muitas vezes se lê ou se escuta que a raça Border Collie tem 150, 200, 300 anos de seleção . A origem dessas informações e os motivos que levam a estas conclusões são sempre omitidos ou obscuros. Será possível que há 200 anos, em um determinado dia, um homem inglês, morador na fronteira com a escócia, decidiu fazer uma raça de cães pastores com determinadas características e começou a selecionar? Obviamente não se deu assim.
A seleção de canídeos com aptidão para arrebanhar e trazer um grupo de animais para determinado lugar existe muito antes do homem ter contato próximo com esses animais . Possivelmente milhões de anos atrás!

O Início da Seleção

A seleção natural se encarregou durante muitos milhares de anos de preservar e reproduzir os genes para essas atividades em populações de animais caçadores, especialmente naqueles que caçam em grupos como lobos, cães selvagens, coiotes, chacais, etc... ( Outros animais também têm esse método de caça: Golfinhos cercam cardumes e os conduzem a águas rasas para abatê-los. O mesmo fazem as Orcas. Leões também caçam em grupos, cercando rebanhos . É um método muito eficiente e se repete em varias espécies de animais ). Quando os homens se associam a esses antepassados do cão, no início da domesticação, as características de caça em grupo e arrebanhamento já existiam entre eles, e talvez por elas o homem viu vantagem em ter canídeos para ajudá-lo em suas caçadas.






Note-se, nestas fotos , a incrível semelhança entre as atitudes dos lobos caçando e dos Borders Collies trabalhando.( fotos de lobos - Monty Sloan )

Desde então há uma seleção artificial empírica buscando preservar os cães mais amigáveis , menos agressivos, mais colaboradores, mais treináveis, mais inteligentes, etc. sabe-se que todos os animais de fazenda foram domesticados muito antes dos tempos históricos .
É incompleta a evidência sobre a época e o modo de domesticação , constituindo em coisas tais como ossos e ferramentas encontrados enterrados nos monturos à volta dos antigos acampamentos e cavernas, desenhos e entalhes nas paredes de cavernas, ou ornamentos. Mas essas evidências não deixam dúvida que o homem já tinha domesticado o cão no período paleolítico. Sabe-se, por exemplo, que os aborígines paleolíticos que foram para a Austrália levaram consigo o cão.
Mas se os registros arqueológicos mostram os restos de cães domésticos com idade aproximada de 14.000 anos, análises genéticas que consideram a divergência do DNA mitocondrial entre cães, lobos, coiotes e outros canídeos, sugerem que a domesticação do cão tenha ocorrido, no mínimo, 100.000 anos atrás .


O Border Collie ainda carrega traços físicos e comportamentais de seus antepassados lobos .

Arrebanhador de Animais de Caça : A Primeira “ Profissão ” do Cão Pré-Histórico

O período paleolítico foi assinalado pelo uso de instrumentos de pedra e osso , os quais aumentaram vagarosamente em complexidade e utilidade. O uso do fogo foi apreendido pelo menos no tempo do Homem de Neanderthal. Não se praticava agricultura nem havia animais domésticos exceto talvez o cão . A cultura paleolítica na Europa ascendeu vagarosamente até a neolítica , cerca de 25.000 anos passados .
No período neolítico , onde o homem polia pedras e construía cabanas , quase todas as raças modernas já estavam domesticadas. E muito provavelmente os cães já ajudavam a cuidar de rebanhos . É óbvio que os cães agressivos , que dispersavam rebanhos ou não obedeciam a seu dono eram eliminados. Já havia, possivelmente, iniciado a seleção do cão pastor que veio resultar no Border Collie, assim como em quase todas as outras raças de cães .
Interessante notar que as raças de cães pastores modernas têm hoje quase a mesma função para o homem que tinham os primeiros canídeos domesticados, ou seja, juntar ( não dispersar ) rebanhos e conduzi-los a um local onde podiam ser abatidos ou aprisionados.
Algumas espécies de lobos caçam deste modo. Lobos de hierarquia inferior arrebanham lotes de herbívoros e os conduzem a um ponto onde o lobo alfa, descansado, está a espera para abater uma presa que servira de alimento a toda a matilha. O homem faz hoje o papel desse lobo alfa, para quem o Border Collie, como seus ancestrais, conduz instintivamente o rebanho. O pastoreio seria simplesmente o comportamento de caça do qual foi retirado ou placado o desejo ou a iniciativa de matar a presa .


Lobos caçando em cooperação tentando cercar e dominar a presa.

Não é por acaso que o grupo de cães pastores mantém, além das características comportamentais, muito da aparência física dos seus antepassados lobos .

A Criação da Raça

Ilustração do século XVIII. Frio, montanhas íngremes, pedras, ovelhas ariscas... O ambiente de trabalho de um Border Collie.

Não se pode, no entanto, negar que, em um determinado momento histórico um grupo de cães, com características valorizadas e comuns entre si ao mesmo que distintas, em algum grau, de outros grupos, recebeu uma denominação e desde então teve sobre si uma atenção especial e uma seleção direcionada para preservar e aperfeiçoar essas características que os distinguiam. Foi o momento surgimento da raça, mas não o início de sua seleção. Pois se não houvesse seleção desde o início da existência dos canídeos, seja natural ou artificial, não se chegaria nunca a esse grupo de cães .
Indiscutível é que o Border Collie como hoje conhecemos é originário da região fronteiriça entre a Escócia e a Inglaterra. Mas a raça é muito mais antiga, com referências literárias e pictóricas que datam de, pelo menos, 1570.
Muitos crêem que o nome "collie" deriva de uma palavra gaélica que significava útil . Outros autores acreditam que "collie" possa vir da palavra "colley", uma raça de ovelhas. Outra pista é a existência da palavra "coolie" em inglês , que quer dizer trabalhador . Independente de qual delas, ou outra, seja a hipótese verdadeira, o fato é que há muito o termo "Collie" era usado para deignar o cão preto ( como eram quase todos ) e útil que servia aos pastores daquela região.

Foto tirada na Escócia em 1851. A raça ainda não existia oficialmente , mas nota-se que o apreço pelo Border já era grande .

Primeiras Provas de Pastoreio

Durante séculos , esses cães pastores trabalharam com seus donos cuidando de rebanhos sob chuva , neve e mormaços , em terras íngremes e pedregosas, sem nenhum reconhecimento fora o de seus próprios donos . Foi em Bala , no País de Gales, a 9 de Outubro de 1873, o início dos primeiros concursos de pastoreio , quando se mostrou esta raça aos olhos do público . O encantamento foi inevitável e a popularidade da raça como ferramenta de trabalho foi aumentando rapidamente, acompanhando o desenvolvimento da indústria da lã .
À medida que o numero de criadores de ovinos aumentava, assim como aumentavam os rebanhos , tornou-se impossível aos pecuaristas cuidarem dos seus rebanhos sem ajuda . Por volta de 1800, os Border Collies tinham-se tornado um ajudante invariavelmente presente nas fazendas inglesas.

Prova de cães de pastoreio no início do Século XX. Domínio e atenção total do cão sobre o rebanho sem deixar de ser obediente ao dono.

O Batismo Oficial

Em Julho de 1906, alguns pastores que se preocupavam com a preservação da raça fundaram a Internacional Sheep Dog Society (ISDS) por encontrarem-se insatisfeitos com o Kennel Club. O descontentamento vinha do fato desta entidade se preocupar mais com o aspecto exterior dos cães do que com as sua funcionalidade. A ISDS é hoje responsável pelo Stud Book que registra os cães de trabalho e que organiza as provas de pastoreio (sheepdog trails).
Em 1918, James Reid, secretário da ISDS, acrescentou pela primeira vez a palavra "Border" a raça que então era conhecida apenas como "collie", fixando assim o nome Border Collie, "collie da fronteira ". 
 
Como deve ser o Bom Border Collie de Trabalho?

Mas que características eram as selecionadas pelos pastores ingleses que criavam e dependiam do Border Collie? Quais cães eram apreciados e reproduzidos?
Primeiro era fundamental que o cão tivesse o instinto básico e irresistível para arrebanhar os animais, sem dispersá-los ou afugentá-los, e trazê-los ao seu dono .
Depois era preciso que o cão fosse capaz, física e mentalmente, de fazer isto de modo eficiente e seguro. Para tal exigia-se um cão calmo e equilibrado, mas que tivesse resistência, velocidade e agilidade superior às das ovelhas.



Na foto à esquerda vemos o cão da raça Border Collie,“ Capitão ”, calmo , mas atento, conduzindo ovelhas sem lhes causar estresse desnecessário. Na foto à direita vemos o mesmo cão Border “ Capitão ”agindo com velocidade e explosão para impedir a fuga de um boi 20 vezes mais pesado que ele .

Resistência e Obstinação

Sobretudo na Grã-Bretanha, berço da maioria das raças bovinas e ovinas, ter um cão pastor eficiente era questão de sobrevivência. Isto se explica pelo fato daqueles fazendeiros viveram pastoreando em zonas montanhosas, totalmente abertas e íngremes, que tornava o trabalho a cavalo impossível e a movimentação a pé inútil para o controle dos animais. Perder parte do rebanho significava a perda de importante suprimento de carne e lã e a ameaça de fome e frio àquelas famílias. Esses cães quase sempre trabalhavam em condições severas e desgastantes. Dominar por muitas horas seguidas, rebanhos ariscos, velozes e rebeldes, em montanhas íngremes, com pedras ásperas, frio intenso, chuva... Muitas vezes sem ver o dono nem receber deste qualquer orientação, exigia uma obstinação e uma tenacidade incomuns. Foi justamente a partir dessa necessidade fundamental que o pastor daquela região e acabou por criar o Border Collie, reconhecido como o melhor cão pastor do mundo.

Ilustração do século XVIII. Sem ajuda de cães treinados e eficientes seria impossível ao homem ter criado ovinos na região montanhosa da Escócia.

Capacidade de Aprender

Além disso, precisava, o cão, ser inteligente o suficiente para perceber a intenção de fuga ou ataque de cada animal para se antecipar ou bloquear com eficiência as atitudes indesejáveis e que viessem a por o trabalho ou a integridade do cão em risco.



À esq. Um Border Collie “estudando” o rebanho. Assim ele aprende como deve agir para conseguir realizar seu trabalho com eficiência . Somente cães extremamente inteligentes são capazes disso. À dir. um campeão de Agility “estudando” a pista. Em alta velocidade e sempre com atenção simultânea ao dono e ao próximo obstáculo.

Essa percepção, essa capacidade de entender os animais que ele precisa dominar e conduzir, não é totalmente inata no Border Collie, pois há grandes variações de comportamento entre animais que devem ser recolhidos e conduzidos. Diferenças que há nas distintas raças, também entre rebanhos diferentes de uma mesma raça e mesmo entre indivíduos de um mesmo rebanho. A todos eles precisava, o cão, saber se impor igualmente e sem violência. Logo era fundamental que o bom cão de pastoreio aprendesse dia-a-dia com seu trabalho e descobrisse com sua concentração e inteligência próprias como é o comportamento dos animais e quais sinais específicos eles emitem antes de agirem de uma determinada maneira .
O cão precisava compreender o rebanho e responder rapidamente aos sinais de modo a impedir fugas ou rebeldias indesejáveis. Além disso, ele precisava ser totalmente subordinado ao seu dono de modo que trabalhasse obstinadamente para ele sem questioná-lo.




O bom Border Collie deve entender o rebanho e responder dosando calma e agressividade conforme a necessidade. Isso o faz o melhor cão de pastoreio do mundo.

Muitas Características em um só Cão

Velocidade, obstinação, tenacidade, resistência, respostas rápidas, empenho, entusiasmo, entrega total ao trabalho, autonomia e autoridade perante o ambiente e outros animais, cooperação com o companheiro de trabalho, subordinação incondicional ao líder ( homem ) e, acima de tudo, uma inteligência extraordinária que surpreende até os treinadores mais experientes .
Essas características, que estão presentes, mais do que em qualquer outra raça, no bom Border Collie de trabalho, são as que o capacitam a obter os melhores desempenhos também em algumas outras atividades que exigem esses traços presentes em alto grau. Agility, Freesbe, Flyball, etc... São esportes que tem se beneficiado com esse cão extraordinário.



Flyball, Frisbee e Agility: Três esportes onde a raça Border Collie é imbatível.

Há Um Único Border Collie: O Border Collie de Pastoreio

A natureza, pela seleção natural, e depois o homem, pela seleção artificial empírica, fixaram, ao longo de muito tempo, num grupo de cães, um conjunto de comportamentos complexo e ainda não totalmente desvendado, mas que precisa ser compreendido para se obter um melhor aproveitamento dele. Mas o que se lamenta é ter que escutar que esse conjunto harmonioso e sofisticado de genes reunidos na raça Border Collie, resultado de milhares de anos de seleção, já possui linhagens de trabalho e linhagens de esporte. Mas será que quem fala isso sabe sequer o que é uma linhagem?
Formar uma linhagem não é simplesmente acasalar dois cães que fazem uma atividade específica com alguma eficiência. Acreditar nisso é um erro técnico e lógico. Linhagem é um termo científico que exige muito conhecimento técnico para ser usado com propriedade e correção. No Brasil, por exemplo, não há nenhuma linhagem de Border Collie, seja de trabalho, seja de esporte ou lazer. Não se conhece, também, no mundo todo, nenhuma linhagem de Border Collie reconhecida e consagrada. O que se escuta é muita afirmação sem base técnica e descompromissada, geralmente motivada por interesse simplesmente comercial .

Inteligência, aplicação, precisão, subordinação, cooperação: Atitudes admiráveis que fazem do Border Collie uma inestimável máquina de trabalho para os pecuaristas do mundo todo. Na foto, Jefferson Munhoz, capataz de estância que com a mesma eficiência trabalha na lida diária com Borders e compete em provas de pastoreio.

O que não se pode perder de vista é que o Border Collie é fundamentalmente um cão de pastoreio. E foi essa atividade que o moldou, que o selecionou. E que ainda está a selecionar cada vez mais. Foi a seleção para pastoreio que fez possível surgir os campeões de agility, por exemplo! E vai continuar a ser! Não há melhor laboratório para essa seleção desta raça que o trabalho com rebanhos nos campos. E serão dos cães de trabalho com rebanhos que, sem sombra de dúvida, continuarão a sair por muito tempo ainda os melhores, mais equilibrados e mais completos reprodutores tanto para trabalho como para o esporte e o lazer.

 

Autor: Alexandre Zilken de Figueiredo - azfigueiredo@terra.com.br

 


 

NEM TODO BORDER COLLIE É UM BORDER COLLIE

Embora a exata origem do cão seja incerta, não há dúvida que ele descende de uma ou de poucas espécies de canídeos (lobos e chacais?) muito similares. A partir deles o homem acabou criando diversas raças que têm se modificado e se ramificado desde a domesticação. Tão grande é essa diversificação que é difícil entender como animais tão diferentes como um Mastin e um Chiuhaua pertençam à mesma espécie e descendam de um ancestral comum. As raças caninas ainda continuam a se modificar segundo muitos interesses, alguns lógicos e sensatos, outros nem tanto.
Muitos criadores brasileiros do Border Collie de trabalho vêm se preocupando com o destino da raça em nosso país. Apesar do grande empenho que se tem feito ainda há muita confusão entre leigos, e até mesmo entre criadores, sobre o que é a raça Border Collie, como se caracteriza e com que valores ela deve ser selecionada. Esse artigo visa expor algumas questões importantes, procurando lançar uma semente de discussão entre os aficionados desta raça extraordinária.

O QUE É UMA RAÇA?

Para melhor estudar e compreender os seres vivos o homem os tem organizado em grupos (Filogenia) em escala dos mais abrangentes aos mais particulares. Os dois grupos mais específicos são o da espécie e o da raça.
Várias ciências fazem uso do termo “raça” para classificar um grupo diferenciado de seres vivos pertencentes à mesma espécie. Se procurarmos, no entanto, as definições para esse termo, veremos que há tantos conceitos diferentes para “raça” quanto são os ramos distintos da ciência. Há, ainda, ciências, como a Zootecnia, que convive internamente com muitas definições diferentes para esta palavra. Definir o que é uma raça tem sido, portanto, um grande e insolúvel problema para os cientistas de diversas áreas.
Uma coisa, porém é certa: raça é uma definição puramente CULTURAL.
Um ser de uma espécie é BIOLOGICAMENTE distinto de outro de outra espécie. Há entre eles uma barreira reprodutiva (não é possível a reprodução entre espécies, salvo raros e conhecidos casos).
Já esta separação entre grupos raciais não existe, biologicamente falando. Só por uma convenção cultural se pode separar as raças. Mesmo nas “raças naturais” essa separação não ocorre de forma clara suficiente para determinar uma indiscutível conclusão. Os cientistas, estudiosos ou criadores é que decidem, por escolha subjetiva ou por conveniência, quais grupos de seres de uma mesma espécie querem agrupar em raças.

CURIOSIDADES SOBRE A DEFINIÇÃO DE RAÇA

Alguns casos curiosos podem deixar bastante clara essa condição absolutamente cultural do conceito de raça.
Nos eqüinos existem ao menos quatro raças cuja exigência para registrar novos animais é ter uma determinada pelagem. São, entre outras, a Apalloosa, a Paint Horse, a Palomino e a Pampa. São raças, sem dúvida, pis são assim reconhecidas e mantêm registro próprio. Mas o que pode surpreender alguns é o fato de um mesmo cavalo poder ser registrado ao mesmo tempo como Quarto de milha, como Paint Horse e como Pampa e, portanto, pertencer a três raças diferentes. E qual seria a “verdadeira” raça de um cavalo assim? Não há! Simplesmente por que não existem “raças verdadeiras”. Há tão somente convenções.
O mesmo caso ocorre com cães das raças American Pitbull Terrier e American Staffordshire Terrier. Em 1972, uma dissidência entre criadores norte-americanos (entre os que gostavam de rinhas e os que gostavam de mostras de “beleza”) acabou por criar duas novas raças e alguns cães foram registrados em ambas. Um mesmo cão com duas raças!


Os cães acima pertencem a duas raças diferentes ( American Staffordshire Terrier e Pitbull Terrier), mas suas aparências não permitem saber qual animal pertence a qual raça. A avaliação da aparência externa é muitas vezes inútil para diferenciar raças (fotos Wikipedia).

Também interessante é o caso da raça Pastor Belga, só que no sentido oposto: Nela há 4 variedades muito diferentes entre si (Groenendael, Laekenois, Tervueren e Malinois), mas são todos, para efeito de registro, Pastores Belgas. São todos da mesma raça (embora alguns paises mantenham registros separados). Um Pastor Belga da variedade Tervueren pode ser freqüentemente confundido com uma pastor Alemão, pela extrema semelhança visual entre eles. Já um Pastor Belga da variedade Laekenois é tão diferente da variedade Groenendael que ninguém que não seja profundo conhecedor pode identificá-los como pertencentes a uma mesma raça.
O que decide a que raça um determinado cão pertence? Não é com certeza a natureza. É o homem, por puro desejo, por vontade, por conveniência ou interesse, não em respeito a uma hipotética lei natural. Os homens decidem que características um determinado animal precisa ter para pertencer a uma raça. Pode ser simplesmente pela aparência física geral (Ovelheiro Gaúcho), pela ascendência(Pastores Belga) ou pela “aptidão funcional”, como é o caso do Border Collie.


As diferenças entre estas três variedades da raça Pastor Belga impressionam tanto que alguns paises resolveram manter registros separados para cada uma (fotos Wikepedia).

COMO AS COISAS INICIARAM

A definição mais genérica e recorrente para o termo raça é: Grupo de animais de uma mesma espécie que possuem características comuns e, em alguma medida, diferentes de outros indivíduos da mesma espécie, e que são capazes de transmitirem essas mesmas características aos seus descendentes.
Para que esses grupos mantenham essa distinção devem permanecer isolados naturalmente (por motivos geográficos, p ex.) ou artificialmente (pela intervenção humana).
Um grande erro (e apesar de grande está consolidado em certos grupos) é o de classificar as raças tão somente por sua aparência (outro erro comum entre “criadores” de cães é confundir os termos aparência, morfologia, fenótipo e biótipo. Palavras que não são sinônimos e que indicam coisas às vezes muito diferentes).
Historicamente a separação se dava pela aptidão funcional. Na Antigüidade (antes de cristo) já haviam escritos que agrupavam os cães em cães de guarda, cães de rastro e corredores. Com o tempo e progressivamente, se passou a reproduzir variedades regionais que se tornavam novas raças com especialidades um pouco mais restritas, mas ainda com ênfase nas habilidades funcionais.
Foi somente no séc. XX que a aparência passou de mero acaso a valor principal da criação, em detrimento da funcionalidade.

UM SIMPLES DETALHE QUE VIROU PRINCIPAL

Robert Bakewel é considerado o pai da moderna zootecnia (foi a partir de seus trabalhos que todas as raças modernas de gado se formaram). Durante o século XVIII ele selecionou, com base em critérios puramente funcionais, bovinos de sua região com desempenho superior, e os reproduzia entre si, mantendo rigorosas anotações sobre antepassados e produtividade. Foi o primeiro pecuarista a fazer isso metodicamente usando largamente a consangüinidade para conseguir homogeneidade em seus animais.
De seu trabalho resultou no maior salto em seleção artificial de animais domésticos que a humanidade já experimentou.


Acima se pode avaliar o resultado de uma seleção criteriosa baseada apenas na performance produtiva. Os dois animais acima são exemplares de raças primitivas britânicas que deram origem às duas raças abaixo, Aberdeen e Shorthorn, respectivamente
(fotos Wikepedia).

Era natural que os descendentes de um reprodutor herdassem, além das características funcionais buscadas por Bakewel, também as características externas como comprimento de chifres, cor do pêlo, pigmentação de mucosas, etc. Essa relativa similaridade na aparência de seus animais em nada interessava a ele.
O sucesso desta metodologia no incremento da produtividade dos rebanhos estimulou outros pecuaristas a manterem registros dos seus animais funcionalmente mais destacados.
Não demorou muito para que animais com pedigree já valessem muito mais que aqueles sem controle algum, por terem garantia de uma linha de ascendência com produtividade superior e conhecida. Com a ganância de alguns, o mercado de animais sofreu uma enxurrada de pedigrees falsos. Em uma época de pouca comunicação e de registros não confiáveis a solução encontrada pelos pecuaristas foi criar associações e definir um “Standard” (padrão racial) para que os animais de uma mesma linhagem fossem externamente semelhantes e, portanto, facilmente reconhecíveis ao primeiro olhar.
Sabe-se que os pais transmitem suas características à prole. A aparência externa era um indício forte de que determinado animal viesse de uma criação específica. O objetivo do Standard era garantir a origem dos reprodutores e estabelecer um “selo de origem” ou seja, um “selo racial”.
Com o tempo, o que era um acidente, um fator secundário, passou a ser fator primordial de seleção. Erro que somente no final do século passado começou a ser percebido e compreendido por pecuaristas do mundo todo.
Hoje é cada vez maior o número de pecuaristas que reconhecem esse equívoco e valorizam os reprodutores por características funcionais (ganho de peso, perímetro escrotal, libido, rendimento de carcaça, prolificidade e etc), sendo que o respeito ao Standard das raças objetiva tão somente estabelecer “selo racial”, função puramente econômica de proteção aos criadores. O reconhecimento deste erro (supervalorização da aparência) infelizmente ainda não se deu entre os criadores de cães.
 
A FUNCIONALIDADE É TRANSMITIDA AOS DESCENDENTES COMO A COR DO PÊLO

As mesmas leis genéticas que determinam a transmissão de características externas (aparência) definem as aptidões funcionais. A diferença é que se pode ver com muita facilidade o resultado da herdabilidade das características externas e pouquíssimas são as características funcionais possíveis de serem percebidas pela visão. A maioria depende de testes funcionais (provas de velocidade, de ganho de peso, de aptidão para trabalho, de força muscular, de docilidade, de resistência, etc.).
No passado todas as raças de cães, como de resto todos os animais domésticos, surgiram por diferenças funcionais e não de aparência. Cães pastores se distinguiam dos galgos não porque eram peludos e robustos, mas porque tinham instinto e aptidão pra pastorear. Já os galgos eram selecionados e procriados por serem velozes, terem uma visão privilegiada e um desejo enorme de perseguir animais silvestres, e não por serem altos ou terem pelo curto.
Mas hoje se chegou a tamanho absurdo de supervalorização estética que o que importa para a maioria dos criadores de um cão de caça não é ele ter aptidão para caçar, mas a posição de sua orelha. O que tem valor num cão de guarda não é sua valentia ou segurança, mas o perfil do seu “stop” (curvatura que une o focinho à testa).


Raças que se tornaram caricaturas de si próprias. Alguém pode imaginar estes exemplares de raças de pastoreio alcançando uma ovelha em meio a banhados ou pastos sujos?Quem teve contato com estas raças sabe que não possuem nem temperamento nem aptidão física para tal (fotos Wikipedia).

Outro equívoco é tentar estabelecer a potencialidade funcional de um animal pela simples avaliação morfológica, como muitos crêem (esse é o argumento que usam aqueles que defendem os concursos morfológicos). Uma experiência curiosa e muito conhecida foi feita em uma das maiores exposições de gado leiteiro do Brasil: um criador deixou lado a lado, durante toda a exposição, 5 vacas leiteiras com produção de leite conhecida e ofereceu um prêmio para qualquer pessoa, especialista ou não, que ordenasse as vacas por ordem da mais produtiva à menos produtiva a partir apenas do exame morfológico dos animais. Ninguém conseguiu o premio!
Claro que um animal de corrida que tenha pernas curtas e seja muito pesado nunca poderá ganhar de um animal alto, de corpo leve e atlético, assim como um animal leve e desprovido de boa musculatura não será um bom animal de tração pesada. Essas avaliações nunca se aplicariam aos cães Border Collie, pois nos casos citados a aptidão é considerada sob um único aspecto, velocidade (nos animais de corrida) e força (nos animais de tração pesada). Já um cão de trabalho com rebanho deve ter um grande rol de habilidades: velocidade, agilidade, resistência, coragem, inteligência, treinabilidade, audição, concentração, senso de rebanho e muitas mais. Não é possível, portanto, fazer um exame da presença ou não destas qualidades em um cão sem que se o submeta a uma prova de trabalho.


Acima se vêem três cães puros da raça Border Collie que podem surpreender quem espera um respeito restrito ao padrão oficial.
O cão do meio é campeão europeu de pastoreio (fotos ISDS Border Collie Database).

TRAÍDOS PELA BELEZA

O maior argumento encontrado para defender um padrão racial a partir da aparência externa é o de preservar uma raça para que ela não perca suas características originais ou se desfigure por cruzamentos inter-raciais ou por falta de parâmetros de orientação, de modo a ser reconhecida e identificada. Mas será que é esse o resultado obtido? Será que o Bulldog está sendo preservado? É possível reconhecer no Dogue Alemão o mesmo hábil caçador de ursos do passado? Um Daschound ainda se mantém apto física e mentalmente para caçar texugos? Evidente que não? Mas então o que se pretende conservar e proteger?
O apego a uma falsa estética, sob a justificativa de serem esteticamente refinados, acaba por criar “cães de enfeite”, que, ao cabo, se tornam incapazes mesmo de reproduzirem-se sozinhos (Bulldog) ou cumprir suas funções básicas (O Afghan Hound era um corredor de gazelas e o Yorkshire caçador de coelhos!).


Estes exemplares pertencem a raças de caça ou de combate. Suas morfologias se tornaram tão exageradas (hipertipos) que eles não possuem mais nem aptidão nem condições físicas para fazer o que originalmente faziam e que justificaram a criação destas raças. Na realidade, hoje, exemplares destas raças mal conseguem se locomover, alguns nem se reproduzem sem assistência cirúrgica de um médico veterinário.

Que características então distinguem um cão Border Collie de um cão de outra raça? Será a cor da pelagem? Será o tamanho do pelo, o formato do crânio, a posição das orelhas, como está definido no padrão da raça da CBKC? Claro que não! Nem são essas as características que importam. A única coisa que importa é a aptidão para o pastoreio. Mas então por que o Standard oficial da raça Border Collie sequer entra nesse “detalhe”.

Um Border Collie de exposição de beleza e um Border Collie de trabalho. São completamente diferentes, mas o segundo cumpre sua finalidade (trabalho com rebanhos) e o primeiro provavelmente não. Qual o Border Collie “verdadeiro”? (primeira foto Wikepédia, segunda do autor).

As raças estão sendo cada vez mais descaracterizadas e tendo suas qualidades funcionais destruídas (Bulldog, Afganhound, Old English Sheepdog, Dinamarquês, Galgo Italiano e Sharpei são exemplos eloqüentes).
Um Labrador é (ou era) um cão de recuperação de caças. Ele foi desenvolvido para buscar caças mortas ou feridas, sobre tudo em locais alagados. Para isso ele deve gostar de água, ser ativo, rápido. O que se vê, entretanto, nos criatórios modernos dessa raça, é a busca de uma extrema aproximação ao Standard, sem nenhum cuidado com o temperamento ou aptidão funcional. Um macho irá reproduzir se for “best in show” mesmo que tenha medo de água, ou seja, um preguiçoso ou desobediente ou um que tenha uma alta tendência à obesidade. Inversamente, um macho que seja excelente nadador, ágil e muito obediente, não irá reproduzir se tiver uma pigmentação inadequada, ou uma orelha um pouco mal posicionada.


A cima temos Labradores sendo avaliados em sua aptidão funcional, abaixo temos a avaliação de animais da mesma raça segundo critérios de “beleza”. Acima temos como resultado cães hábeis e saudáveis, abaixo o resultado são animais obesos e sem aptidão alguma, “caçadores” que sequer caminham com desenvoltura (fotos de cima retiradas do site www.srkennel.com, abaixo do site www.unitedretrieverclub.co.uk) .

Também um filho de dois Rotweillers registrados que nascesse com pelagem comprida ou manchas brancas pelo corpo ou orelhas em pé, deveria ser registrado como Rotweiller? Certamente não. Entretanto um Border Collie, filho de pais registrados, que nascesse sem nenhuma aptidão ou gosto por trabalho de pastoreio (apático diante de um grupo de ovelhas, sem senso de rebanho, que late para os animais, etc.) seria registrado se tivesse a aparência da raça.

UM "BORDER COLLIE" DE OUTRA RAÇA

Uma situação curiosa (ou desastrosa) pode ser causada pelas semelhanças que podem haver entre raças completamente distintas. Há uma raça muito parecida, em seu aspecto, com a raça Border Collie: a raça “Karelian Bear Dog”, cão de origem russa caçador de lobos. Pois, bem, se um cão puro desta raça fosse apresentado como Border Collie à algum técnico da CBKC receberia registro provisório como Border Collie! Não é preciso dizer mais nada.


Exemplares que se apresentados ao CBKC obteriam, sem dúvida, registro provisório como cães da raça Border Collie. Ocorre que estes animais acima são cães puros de outras raças: Kerelian Bear Dog , Russian Laika, Staby Hound e Alaskan Husky, respectivamente (fotos Wikipédia).

Classificar um cão como pertencente ou não a raça Border Collie avaliando apenas seu aspecto exterior é simplesmente impossível. Não se poderia excluir nem incluir um cão qualquer na “raça” Border Collie sem que antes se o observasse trabalhando. E mesmo assim só experts poderiam ter uma idéia justa sobre sua aptidão para o trabalho. Os registros dos clubes cinófilos dizem apenas que um cão é filho de dois outros cães que foram registrados. E, em alguns casos, nem isso, como ocorre com o combatido “registro Provisório” (registro de cor verde) concedido pela CBKC a cães sem origem conhecida. Esta agremiação ainda mantém uma modalidade de registro que inscreve um cão em seus livros como pertencente à raça Border Collie depois de uma simples olhada em seu exterior, e ainda feita por uma pessoa não especializada. Um vira-lata, que não possui nenhum antecedente registrado, e que absolutamente nada tem de Border Collie, pode receber registro! Com certeza absoluta, muitos cães puros, importados da Inglaterra, com alta performance de trabalho, não passariam nessa inadequada e espantosa avaliação. Isso é um verdadeiro escândalo que só prejudica o desenvolvimento da raça.


Só um destes cães é um verdadeiro Border Collie. O primeiro é um Border Collie puro, campeão Europeu Continental de provas de pastoreio, o segundo é um cão puro da raça Kerelian Bear Dog ( foto www.bordercollie.nl.com e Wikipedia).

PROVAS DE BELEZA X PROVAS DE TRABALHO

A 1ª exposição de cães no mundo ocorreu em Londres no ano de 1861, seguida da exposição de Paris em 1863. Só depois disso, em 1873 foi fundada a 1ª associação de criadores. O Kennel Club de Londres(KC).
Vê-se que as raças só tiveram estabelecidos seus standarts e organizados seus registros muito recentemente. Depois disto, as pessoas passaram a criar cada vez mais raças novas a partir de variedades de uma mesma raça já existente. Só nos últimos 50 anos, segundo a FCI, o número de raças oficializadas simplesmente triplicou. Hoje somam mais de quatrocentas raças no mundo.
Além da criação de novas raças, as raças antigas avançaram para os hipertipos e abandonaras a funcionalidade. Hipertipo é o avanço da seleção para aumentar a expressão racial, de modo exagerado, até chegar a uma caricatura da raça originária. Os Buldogues foram se tornando mais baixos, mais retacos e mais cabeçudos (a ponto de não se reproduzirem nem dar cria sem a intervenção do homem), os Daschuhund mais compridos (incapaz de sustentar a própria coluna, quanto mais caçar animais velozes), os Komodors e Old English Sheepdogs mais peludos (um exagero que simplesmente os impede de pastorear, pois a pelagem atrapalha totalmente os movimentos), os Pinchers mais miniaturizados.

Por outro lado, há um pouco mais de sensatez onde nem tudo é só aparência.
Provas de trabalho também têm surgido e aumentado sua popularidade, que dando o justo valor às aptidões naturais de cada raça.


Felizmente ainda há criadores que selecionam cães que preservam as aptidões originais. Para isso se valem de provas de trabalho: prova de proteção, tração, faro e velocidade. (4 primeiras fotos Wikipedia, última de Thorbes Moreira).

Embora antigas (a primeira foi em 1873, na cidade de Bala, Pais de Gales) as provas de pastoreio tem crescido no mundo todo, bem como as provas de Field-trial (cães de aponte), escavação de trufas, corrida de lebres (com Galgos), Provas de ringue (cães de proteção), provas de obediência, provas de faro e corrida de trenós, entre outras. Estas competições são adequadas e úteis ferramentas de avaliação de funcionalidade que os criadores e treinadores fazem uso para concluir sobre qual genética e qual técnica de treinamento são as mais eficientes. Criam-se condições uniformes para que o desempenho dos animais sejam justa e devidamente julgados. Os resultados destas provas de trabalho são incluídos nos pedigrees dos cães em quase todos os paises.
Interessante é constatar que nos registros brasileiros emitidos com exclusividade pela CBKC, não permitem espaço pra nenhuma anotação sobre provas de aptidão, ao passo que os resultados das provas de beleza são acrescidos e ressaltados nos registros. O mais importante em uma raça de trabalho, que é a comprovada aptidão do cão e de seus ascendentes, para a função a que se destina, não é homologado e sequer se permite informar no registro nacional. Já qualquer premiação recebida por um cão em uma prova de beleza é sempre anotada em seu pedigree.


Onde se pode avaliar o valor de um Border Collie? Nas mostras de “beleza” ou nas provas de trabalho?
( primeiras fotos do site www.freewebs.com, última de Thorbes Moreira)

Muitos criadores de Border Collie ficam constrangidos quando são procurados por pessoas que desejam adquirir filhotes “bonitos”. Não que um Border bom de trabalho não possa ser bonito, mas já é tão difícil conseguir produzir um ótimo cão de trabalho que esperar que ele também seja “bonito" soa aos criadores como um contra-senso.

NEM TUDO SE PERDEU

Só o esforço consciente de criadores sérios e comprometidos com o verdadeiro Border Collie de trabalho é que irá garantir, para o beneficio da produção pecuária, a perpetuação e o aprimoramento desta raça, considerada a mais inteligente, mais eficiente e mais trabalhadora de todas as raças.
Por fruto de muito trabalho dos criadores dedicados foi, por intermédio das recém fundadas AGBC (associação Gaúcha de Border Collie), ABBC (Associação Brasileira de Criadores de Border Collie) e APPAS (Associação Paulista de Pastoreio), celebrado um convênio destas entidades com a maior e mais respeitada associação de Border Collie de trabalho do mundo, a ISDS (International Sheep Dog Society), sediada no Reino Unido, a fim de serem emitidos registros da própria ISDS para cães brasileiros que sejam de origem conhecida e demonstrem alto desempenho em pastoreio. Para fazer jus ao registro da ISDS, cães da raça Border Collie terão que ser avaliados e aprovados previamente por um “expert” britânico durante uma prova de pastoreio.

Essa ação é um grande passo em prol do verdadeiro Border Collie de trabalho!

COMO DEVERIA SER O PADRÃO DA RAÇA BORDER COLLIE:


Border Collie puro participando de provas de trabalho. Sua postura diz muito mais de sua “pureza racial” que sua aparência exterior, que neste caso está em total desacordo com o padrão oficial (foto Thorbes Moreira).

Hoje o padrão oficial (Standard) da raça Border Collie contém apenas características externas, sem se ater ao que realmente importa, sua funcionalidade. Abaixo segue uma idéia de como deveria ser o Standart para identificar o verdadeiro Border Collie.

Inteligência
Muito inteligente, facilmente treinável, assimilando rapidamente os ensinamentos do treinador, assim como aprende constantemente com suas próprias experiências enquanto trabalha, adquirindo capacidade de prever e se antecipar aos movimentos e ao modo de agir de cada animal de um rebanho.

Instinto
Cão com grande iniciativa, decidido e corajoso. Tem um desejo inato e irresistível, desde muito jovem, para trabalhar com qualquer animal, sobretudo com rebanhos.
Vontade de agrupar e parar os movimentos do rebanho e bloquear a fuga dos animais que querem abandonar o grupo.

Temperamento:
Extremamente atendo ao que acontece ao seu redor. Muito dócil e apegado ao dono, mas preferindo sempre o trabalho ao seu condutor. Concentrado e inquieto, possui uma avidez incomum para trabalhar com animais, exigindo treinamento específico para ter seus instintos de trabalho controlados adequadamente.

Padrão de Trabalho:
Totalmente silencioso, sem latir quando está trabalhando, olhar muito concentrado e forte sobre os animais, com o qual os domina.
Rabo sempre baixo entre as pernas e corpo agachado como um predador quando se aproxima do rebanho. Possui um grande senso de distância capaz de movimentar ou parar os animais de acordo com sua vontade ou comando do seu condutor de modo a causar o menor estresse possível fazendo com que o rebanho tenha o deslocamento apenas necessário para cumprir a tarefa desejada. Demonstra ter leveza, precisão, decisão e autoridade capazes de dominar grandes ou pequenos animais, dosando suas atitudes de acordo com a situação. Trabalha eficientemente por iniciativa própria ou totalmente submisso aos comandos do condutor.

Aptidão Física:
Ágil, muito veloz, com grande resistência muscular e aeróbica.

 

Autor: Alexandre Zilken de Figueiredo - azfigueiredo@terra.com.br

 


 

Apito para Border Collies


Muita gente ainda não ouviu falar da raça Border Collie, mas muitos já se perguntaram: Qual é o cachorro mais inteligente? Bem, pelo livro A Inteligência dos Cães,de Stanley Coren é justamente o Border Collie o número 1 na lista dos mais inteligentes.
E é uma pena que esta seja a informação mais divulgada sobre os Borders. Realmente eles são muito inteligentes, mas nem sempre são fáceis de treinar (justamente por serem inteligentes eles descobrem todas as nossas “falhas” de consistência e as usa em seu próprio benefício, ou seja, faz ouvido de mercador se deixarmos).
As pessoas acabam acreditando que o Border é um será um ótimo cachorrinho de companhia. Que só entra em ação quando queremos, e está disposto a colaborar sempre. Isso não poderia estar mais longe da verdade!
Mas para as pessoas que realmente trabalham com seus Borders, donos de fazenda que usam seus cães para pastorear vários tipos de rebanhos, para aqueles que participam ativamente de competições de agility, ou de obediência, não há cachorro melhor que este.

O Border Collie é tão entusiasmado por seu trabalho que basta um ligeiro sinal de seu condutor para o cão mudar seu movimento, fazendo com que o rebanho siga o caminho desejado. Comandos verbais também são usados, mas como nem sempre as condições climáticas favorecem para que o cachorro enxergue perfeitamente seu dono, e nem mesmo consiga ouvir a longas distâncias (lembrando que o Border Collie é natural das terras que fazem fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, onde a neblina e os ventos são quase personagens vivos), o Apito para Border Collie é um instrumento fundamental, pois seu som atinge incríveis distâncias, com total clareza. Este tipo de apito é usado mundialmente como auxiliar na comunicação entre o homem e seu cão pastor.
Mesmo que o cão não seja usado na fazenda, o trabalho e a obediência exigidos durante uma prova de trabalho são impressionantes.
Em linhas gerais, durante uma prova de pastoreio será pedido ao cão para agrupar um bando de ovelhas que estão a uma longa distância do condutor, trazê-las e fazer com que elas entrem em um cercado. Mais uma vez parece fácil, mas não é!
O condutor deve mandar seu cachorro sem nenhuma guia, sem que ele, o condutor, se mova. Através de sinas, comandos verbais, ou apitos o condutor diz ao cão quando ele deve se mover para a direita, para esquerda, quando deve deitar e esperar, quando deve ir à frente ou recuar. É um espetáculo até para quem não entende do assunto. Quem viu o filme Babe o Porquinho teve uma pequena amostra do talento destes cães (e até de um porco).
O objetivo destas provas é manter a raça dentro dos princípios de trabalho de sua criação, ou seja, atestar que estes cães continuam fazendo o que eles foram criados para fazer: pastorear animais com muita inteligência, agilidade e precisão.
As regras são rígidas e o cão não só será avaliado (e pontuado), pela sua eficácia, como também perderá pontos se o condutor precisar dar muitos comandos, se aterrorizar as ovelhas, se persegui-las sem um propósito, se o cachorro entrar junto com as ovelhas no cercado, etc.
Para que esta dupla, cão e condutor, tenha êxito é preciso muito treino (aproximadamente 2 anos), muito trabalho, muito conhecimento mútuo e que os comandos cheguem claramente até o cão. É nesta hora que o Apito para Border Collies também mostra a sua excelência.
Mas tal como os Border Collies, este não é uma apito para qualquer pessoa. Para que os sons saiam deste apito, é preciso muito treino e para que se consiga atingir todas as variações dos comandos é preciso de muito mais treino e disciplina. Talvez, se você conseguir se tornar um expert nos atributos do Apito para Border Collies, talvez você também consiga se tornar um admirador dos atributos do Border Collie.


Ouça os sons (Arquivos em MP3) do apito clicando nos links abaixo e veja os comandos associados a cada som:


LIE DOWN - Para fazer o cão deitar e parar.
COME HERE - Para o cão vir até o pastor.
WALK UP - Faz o cão ir até o rebanho.
COME BY - Para o cachorro se mover em volta do rebanho no sentido horário.
WAY TO ME - Para o cachorro se mover em volta do rebanho no sentido anti-horário.
GET OUT - Faz o cachorro se afastar do rebanho.
LOOK BACK - Faz o cachorro olhar para tráz para buscar mais ovelhas.
TAKE TIME - Faz o cão se movimentar mais devagar.
THAT WILL DO
- Ordena o cachorro a parar o trabalho.

 

Fonte: BitCão - www.bitcao.com.br

 


 

15 Coisas Que Todos Deveriam Saber Antes de Comprar Um Border Collie

 

1. Origem - O Border Collie é uma raça de cães desenvolvida exclusivamente para o trabalho. Há milênios, em sua luta pela vida, o homem tem selecionado cães para ajudá-lo em suas atividades pastoris. Na Grã-Bretanha ter um cão pastor eficiente sempre foi questão de sobrevivência econômica. Desde a antiguidade os britânicos vivem pastoreando em zonas de montanhas íngremes, pedregosas e sem cercas, o que torna o trabalho a cavalo impossível e a movimentação a pé inútil. Perder parte do rebanho significava a perda de importante suprimento de carne e lã o que ameaçava a manutenção daquelas famílias. Por essa necessidade surgiu, há centenas de anos, na fronteira (border) da Escócia com a Inglaterra, o BORDER COLLIE, reconhecido como o melhor cão pastor do mundo, companheiro inseparável dos pecuaristas britânicos e, atualmente, dos homens do campo do mundo todo.

2. Bom “Ovelheiro” e Bom “Vaqueiro” - O Border Collie trabalha fundamentalmente com animais que se reúnem em rebanhos: Bois (sim!, e muito bem), ovelhas, cabras, marrecos, gansos e etc. Possuindo boa genética ele, naturalmente e sem treinamento algum, ao avistar um rebanho, sente um desejo inato e irresistível de cercar, juntar e conduzi-lo ao seu dono. Inicialmente desenvolvido para trabalhar com ovinos, hoje ele tem sido utilizado mais largamente para trabalhar com bovinos. Nos EUA e Canadá ele é consagrado como o melhor cão de gado, superando todas as outras raças!

3. Treinamento - Mas para que possa auxiliar no serviço de campo com todo seu potencial é preciso que essa aptidão instintiva para arrebanhar seja dirigida, refinada e ordenada. Isto se consegue com uma boa recria e treinamento adequado. Coisa que qualquer peão com alguma instrução pode facilmente fazer. É uma “doma”, do mesmo modo que a de um cavalo. Essa “doma”, inicia quando o filhote tem um ano de idade e dura ao redor de 8 meses. Parece demorado, mas irá garantir-lhe uma máquina de trabalho por muitos anos.

4. Trabalhador obstinado - O Border Collie não é um cão de “show”, ou de apresentação, nem mesmo de provas. É essencialmente um obstinado cão de trabalho. Ele nasceu para trabalhar, e é do que ele gosta, seja com rápidas e teimosas ovelhas, seja com o gado mais rebelde e arisco. Quem tem a oportunidade de ver um Border trabalhando no campo fica impressionado com sua coragem, precisão e tenacidade.

5. As Provas de PastoreioProvas com bovinos e ovinos são o meio que os criadores têm para aferir o desenvolvimento de sua genética e das técnicas de treinamento. Nestas avaliações se pode, comparando, observando, julgado e trocando informações, concluir sobre a evolução das “linhagens” e dos treinamentos. Há, no Brasil, desde 2000, campeonatos estaduais e nacionais de pastoreio. Assistir uma prova ajuda muito a conhecer o potencial da raça.

6. A Técnica à Sua Disposição - Além das provas de pastoreio os criadores promovem palestras, cursos, aulas particulares ou em centros de treinamento. Assim, querendo começar a trabalhar com Borders, você pode optar por comprar um cão já treinado, ou comprar um filhote e mandar treiná-lo por quem saiba, ou ainda fazer um curso e treinar você mesmo em sua casa. É muito importante entender que é o treinamento correto é que irá tornar real e utilizável todo o potencial genético de um filhote!

7. Treinar é Fácil – Treiná-lo não é difícil nem complicado. Não é coisa de circo nem de quem tenha superconhecimentos, segredos ou técnicas complexas. Pelo contrário, pelo cão possuir grande inteligência, treinabilidade e forte instinto de pastoreio, qualquer um, com algum conhecimento, pode treiná-lo com bons resultados. Qualquer pessoa (mesmo!) pode treinar um Border de boa genética! IMPORTANTE: cães sem aptidão (cruzados, p.ex.) são “intreináveis”!! Nem o melhor treinador fará um cão mestiço trabalhar como um Border Collie.

8. Não Julgue a Aparência - O aspecto externo não é algo que os criadores reputem importante. A variação morfológica vai muito além do clássico "preto coleira", Há diversas cores, alturas de pelo e posição de orelhas. "Vira-latas” podem ser muito parecidos com Borders e vice-e-versa. A grande (grande mesmo!) diferença é aquilo que ele traz por dentro. Sua inteligência, seu espírito de pastor, sua coragem...Sua “carroceria” não importa. O mais valioso é o “motor” que ele carrega. Muitos compram ovelheiros pretos (por engano ou não) pensando que eles irão trabalhar como um Border. É um lamentável erro e geralmente o início de um grande arrependimento.

9. A Postura do Verdadeiro Border – O verdadeiro Border se revela quando está trabalhando: corpo agachado; olhar fixo e concentrado; rabo sempre caído entre as pernas e em forma de “J”; e sem jamais latir. A falta de uma só destas posturas deve ser motivo de séria desconfiança. Para saber se estamos diante de um legítimo Border Collie, temos que vê-lo trabalhando. Não há outro modo! Estamos acostumados a distinguir as raças pela sua aparência exterior. No Border Collie isso é impossível, pois são as características de temperamento, habilidade, pendor para o trabalho, treinabilidade e comportamento que realmente importam. Trabalhando, porém, ele é inconfundível. Quem o vê não esquece.

10. Exija um Border de Qualidade - Mesmo entre os Borders Collies puros não são todos os cães que têm aptidão superior para o trabalho. Isso porque alguns “criadores” menosprezam os critérios de uma correta seleção genética e praticam acasalamentos “errados” ou “suspeitos”.

11. O Cão Superior Tem Valor - Produzir bons filhotes é como tudo que tem qualidade: requer alto dispêndio de tempo e dinheiro. Por isso desconfie sempre de ninhadas muito baratas, de “registro aberto” ou sem registro. Filhotes bons são muito procurados! E por isso, caros. Faça distinção entre donos e criadores de Border Collie. Donos geralmente têm apenas um casal de cães e acreditam que acasalando os dois produzirão bons filhotes! Criadores gastam muito tempo procurando os cães ideais para acasalar.

12. Primeiro Escolha o Criatório - No Brasil há criadores honestos e criteriosos (infelizmente poucos ainda) que têm importado filhos de cães de trabalho consagradas na Inglaterra, na Europa continental e nos EUA. Aqui eles são experimentados criteriosamente antes de serem acasalados com outros cães também selecionados. Suas proles, então, são testadas nas fazendas e nas pistas de provas, com muito rigorismo, procurando produzir cães confiáveis, de ótimo desempenho e de genética superior e estável, capazes de trabalhar com eficiência nas condições brasileiras, com nosso tipo de gado e em nossas propriedades. Daí a grande importância, quando se quer iniciar no Border com segurança, de procurar criadores sérios e só adquirir cães registrados, filhos de pais que trabalhem e que demonstram um alto desempenho.

13. Máquina de Trabalho - O Border Collie não deve ser encarado como um animal de estimação. Ele é uma máquina de trabalho que irá representar mais eficiência e mais lucro. Trabalhar com um Border é bastante diferente do que trabalhar com outras raças, incluindo os ovelheiros. Por não latir e movimentar-se com extrema precisão, acabam por diminuir o estresse dos animais e realizar as tarefas mais complexas com muito mais rapidez. É certeza de mais economia e mais eficiência. Logo, mais lucro. A expansão do Border no Brasil é só uma questão de tempo e em breve todo pecuarista terá um a auxiliá-lo.

14. Inicie com Boa Genética - A satisfação de trabalhar com esses incríveis cães não pode ser alcançada pulando etapas ou atalhando. Começa necessariamente com um cão de origem comprovada. Esse filhote deve ser criado adequadamente e, finalmente, receber um bom treinamento. Só assim se terá nas mãos todo o potencial desta surpreendente e insuperável raça de trabalho.

15. Informe-se - Procure os criadores sérios. Evite comprar “gato por lebre”. Peça, antes de comprar um filhote, para ver os pais dele trabalhando. Nenhum criador que mereça ser chamado assim acasala seus cães sem antes treiná-los para testar suas aptidões. Bons criadores lhe darão as mais corretas informações sobre a raça e orientação para aquisição de um bom cachorro. E isso com grande satisfação, pois o nosso objetivo é desenvolver o trabalho com cães Border Collie.

Evite gastar tempo e dinheiro inutilmente.
Informe-se antes de adquirir um Border Collie!

 

Autor: Alexandre Zilken de Figueiredo - azfigueiredo@terra.com.br

 


 

Pastor ou Caçador de rebanhos?


foto: Alexandre Figueiredo

Quando se tenta compreender o mecanismo comportamental de um cão Border Collie diante de um rebanho não se pode deixar de constatar que há uma grande semelhança entre a maneira que ele trabalha e o modo como varias espécies de animais caçam, sobretudo os animais sociais que caçam em grupos. Essa incrível semelhança não é mero acaso, ainda que pense que essas duas atividades nada tenham em comum. De fato, a caça quer a morte de indivíduos do rebanho, o pastoreio quer sua proteção. Mas outro modo de encarar é que ambas ações, embora não tenham a mesma finalidade, fazem uso do mesmo meio, do mesmo processo preparatório que pode ser resumido em ter domínio sobre o movimento do rebanho. Mas que importa isso aos criadores, treinadores ou proprietários de Borders? Talvez nada. Talvez muito.
Se entender os motivos que levam nosso cão a uma determinada atitude puder ajudar-nos ao treinamento e a condução de nossos cães, então importa muito saber a origem e as motivações desse comportamento.

Como Trabalha um Cão Pastor Border Collie?


foto: Alexandre Figueiredo

Quando se trabalha no campo, dia-a-dia, com cães de pastoreio uma cena é recorrente: Estão no campo, mirando um rebanho a pastar, um peão de estância e seu Border Collie. O cão olha os animais fixamente e está ansioso, a espera o comando de seu líder. Não espera um comando verdadeiramente, mas apenas uma liberação. Aguarda por um som ou gesto que signifique: “Pode ir!” “Pode fazer o que você sabe que deve ser feito!” O som ou gesto não está nem em seu meio e o cão já o entendeu e parte rápida e violentamente, arrancando pasto com suas patas e fazendo se ouvir o som delas batendo energicamente sobre o solo. O cão não parte diretamente para o rebanho e quem não sabe o que está acontecendo imagina que o ele se perdeu de seu objetivo, que está correndo em direção errada, que não sabe o que está fazendo. Porque o traçado de sua corrida se afasta cada vez mais do núcleo do rebanho. Sem diminuir a velocidade o cão olha os animais e calcula o raio da corrida. Cauteloso, atento e rápido. Pela velocidade e postura parece uma flecha. Uma flecha que aparentemente se dirige para um local totalmente diverso do alvo. Mas ele esta certo. Totalmente certo. É uma corrida estratégica. Ele está “caçando”! Aos poucos sua corrida aberta começa a se desviar de modo a desenhar um largo círculo que tem como ponto central o núcleo daquele rebanho. Assim ele circunda o rebanho todo e, de repente, a corrida estanca em um ponto específico. Esse ponto é exatamente o ponto final de uma reta perfeita que partindo do seu líder, o peão, passa pelo núcleo do rebanho e termina no próprio cão. É incrível! Após a grande e larga corrida o cão para no ponto exato que acaba por deixar peão, rebanho e cão perfeitamente alinhados. E os animais do rebanho nem o notaram. Continuam distraída e placidamente pastando. Era esse, desde o início, o primeiro objetivo do cão. Logo que se encontra alinhado irá dar início ao seu segundo objetivo ao se dirigir direto ao rebanho calmo, seguro e firme, agachado, cauteloso, olhar fixo e penetrante. É um caçador habilidoso! A intenção agora é agrupar os animais e fazê-los moverem-se alinhadamente em direção ao peão. Ele os está empurrando ao seu líder. Está conduzindo suas “presas” à “armadilha”. O rebanho tenta escapar desse alinhamento, mas o cão impede. Alguns animais se negam a caminhar e o cão investe sobre eles e os obriga a seguirem o trajeto que irá acabar no peão. Outros animais do rebanho se rebelam e enfrentam o cão, mas o caçador sabe o que fazer e, passo a passo, olho no olho, avança determinado. Os animais rebeldes ficam inseguros, sentem o domínio do cão e cedem. Os animais antes insubmissos se introduzem no rebanho, e o cão relaxa. Tudo sobre controle. O rebanho acelera na direção desejada e o cão retira a pressão. Não interessa a esse cuidadoso caçador corridas e excitação desnecessárias e que possam por todo seu trabalho a perder. Então, por gestos e posturas, o cão “conversa” com os animais do rebanho. Eles “falam” a mesma linguagem, o cão entende e se faz entender, o que o coloca em larga vantagem em relação ao homem no modo de relacionamento com os animais a serem manejados.


Border Collie conduzindo um rebanho ao seu líder: nem rápido demais que cause estresse, nem lento demais que
comprometa a eficiência. (fotos: Alexandre Figueiredo)

 

Ele segue a risca seu plano e não quer falhar. Isso tudo ele faz por iniciativa própria e sem comando algum além daquela permissão inicial do seu líder. Nessa fase do trajeto o cão já estudou e conhece todos os animais do rebanho. Sabe quais são os remissos, quais os rebeldes, quais os subordinados...Os rebeldes ele não descuida. Os remissos ele repreende com atos mais severos, com postura mais agressiva. E assim ele vai, com autoridade, seguro, decidido, cuidadoso, eficiente. Num determinado momento, sem comando algum, ela para. O rebanho está encurralado entre ele e seu líder. Ele esta com satisfação, contente. Mas não realizado. Ele queria mais. Ele sempre quer mais. E está sempre pronto para mais. Ele é um caçador insaciável. Um caçador que não mata. O que anima esse “caçador-pastor” é dominar o rebanho, e sua felicidade vem disso: Recolher, subjugar e entregar esse rebanho ao seu líder.
Embora com uso de algumas imagens um tanto literárias, é assim que um Border trabalha.

Estratégias de Caça

E esta estratégia de caça não é original. Lobos caçam cervos e bisões assim. Assim também agem leoas perseguindo rebanhos de zebras e gnus. Golfinhos e orcas cercam e dirigem cardumes de peixes para “abatedouros” de águas rasas (uma das atrações turísticas do litoral de Santa Catarina é assistir a pesca de tarrafa feita com auxílio de botos. Eles “arebanham” no mar cardumes de tainhas e os conduzem às águas rasas de rios onde pescadores esperam para o “abate”). Falcões agrupam bandos de pombos para poder evitar a dispersão e facilitar o ataque. É uma técnica eficiente, e por isso repetida muitas vezes na natureza.


Pescadores de Laguna –SC esperando os cardumes de tainhas que os botos então arrebanhando no mar.
(foto divulgação Prefeitura de Laguna)


Boto arrebanhando e conduzindo para águas rasas um cardume de peixes.
O objetivo é encurralar o cardume para poder abatê-lo (foto divulgação Prefeitura de Laguna).

O homem pré-histórico observou isso e se associou aos antepassados dos cães para caçar herbívoros. Depois, por seleção empírica, mas direcionada, retirou um pouco da agressividade, do desejo de matar, preservando todo o resto e obteve um cão que o ajudava a controlar rebanhos domesticados. O caçador passou a trabalhar como pastor.

A seleção dos genes de comportamento feita pela natureza (seleção natural) por milhões de anos acabou por fixar nos animais (e muitos psiquiatras admitem que no homem também ocorre idêntico fenômeno) tão fortemente determinadas atitudes inatas que é quase impossível resistir a elas. Um João-de-barro, mesmo criado em total isolamento, irá, quando for época de acasalar, construir sua casa de modo idêntico a todos ou outros de sua espécie. Mas como ele sabe construí-la? Como ele sabe o momento propício para acasalar? Como ele sabe a melhor orientação para seu ninho?
Esses comportamentos foram sendo selecionados pela natureza por um sistema que, embora simples, é motivo de muita confusão quanto aos seus mecanismos (um fundamento genético que todo melhorista conhece é que não se criam genes - salvo na raríssima hipótese da mutação, apenas é possível selecionar genes já existentes).

É importante compreender que os animais muitas vezes nascem “sabendo” o que devem fazer, sem que lhes sejam ensinado. Mas esse comportamento “inato” recebe modificações e adaptações pelo meio. Esse meio tanto pode ser a relação com outros animais de seu grupo como pode ser o treinamento dado pelo homem.

Seria muito interessante olhar atentamente um filme sobre vida selvagem que mostre como caçam os felinos. Notaremos que muitas vezes os leões caçam em bando e de forma organizada (ver relato no final). Sem que precisem conversar ou desenhar uma estratégia (embora haja durante a caça comunicação entre os caçadores). Isso é possível porque há, em um grupo de leões, determinados indivíduos que nasceram com maior aptidão para espreitar e cercar sua caça, outros com aptidão maior para perseguir e outros ainda com aptidão mais desenvolvida para matar. Deste modo, trabalhando em equipe, é que caçam com mais eficiência.


Leoas cercando cuidadosamente um rebanho de búfalos. Uma estratégia de caça onde cada indivíduo tem sua função.
(Foto leoas Denver Bryan)

Em uma alcatéia de lobos e num grupo de baleias Orca ocorre o mesmo modo organizado e complexo de caça cooperativa (interessa lembrar que a seleção natural de populações mais aptas difere da seleção natural de indivíduos mais aptos. A seleção do individuo mais apto faz que sobreviva e procrie o individuo que reúna em si todas as características necessárias ao seu sucesso frente as adversidades. Já a seleção de populações mais aptas faz sobreviver o grupo que tem mais eficiência no trabalho cooperativo, isso implica indivíduos diferentes cumprindo funções também distintas).


 

 

 

 

A postura do Border Collie trabalhando é muito semelhante a de um predador prestes a atacar sua presa. Mas o instinto de matar está contido, parte pela seleção genética, parte pelo treinamento. (foto Alexandre Figueiredo)

 

Na raça Border Collie se observa que indivíduos distintos trazem fixados em seus genes comportamentos de caça em grupo em diferentes graus e com variações suficientes para que possam exercer as diversas funções como as que são exigidas numa caça em grupo. Deste modo temos Borders com maior instinto de espreita (geralmente cães com mais “estilo”, com grande mirada, mas muitas vezes “travados”, sem iniciativa), ou com maior instinto de arrebanhar (cães mais ligeiros, com movimentos largos, circundantes e em esquadro), ou, ainda, com desenvolvido instinto de perseguir (com movimento direto sobre o rebanho tentando separar uma presa) e, por fim, os indivíduos com instinto nato de matar (cães que mordem fazendo presa, geralmente em locais fatais como garganta e virilha). Mas apesar de algum cão ter maior tendência para uma destas funções (pastores australianos que movem grandes rebanhos identificam, já nos filhotes, aqueles com aptidão para trabalhar nos costados do rebanho e aqueles para trabalhar na culatra), nada impede que ele exerça cada uma delas com eficiência, e o homem, em sua seleção, escolha aqueles que tenham essas aptidões equilibradas e na medida exata para o trabalho versátil com rebanhos.
Numa família de lobos nascem filhotes de distintas aptidões, e é isso que garante que o grupo possa caçar sempre de forma harmônica e organizada. Numa ninhada de Border tal fato também pode ocorrer e isso tem sido motivo de certa incompreensão por parte dos criadores. Como pode haver numa ninhada cães com temperamentos tão distintos? A luta do criador de cães tem sido para remodelar esse intrincado e variável conjunto de genes herdado de ancestrais que foram submetidos a milhares de anos de seleção natural. A tentativa é modificar a freqüência de determinados genes com objetivo de obter o maior número de cães “perfeitos” e versáteis e, o que é muito mais difícil, estabilizar esta nova freqüência de genes dentro da raça.



Atitude de uma leoa observando e estudando herbívoros que serão suas futuras presas. O Border estuda um rebanho planejando seu “ataque”. (Foto da leoa: Denver Bryan. Foto do cão:  Alexandre Figueiredo)

 

Diferentes Cães Pastores

Embora pertencentes ao mesmo grupo na cinofilia, em nada se assemelham às atitudes de um cão pastor do tipo “arrebanhador” do tipo “protetor” ou do tipo “empurrador”. Nos EUA há quem classifique os cães pastores conforme seu estilo natural, que pode ser basicamente de “fetching”, de “driving,” ou de“tending”.

O tipo “arrebanhador” é o que predomina nas raças o Border Collie e Australian Kelpie, por exemplo. Recolhem o rebanho e trazem ao seu líder. Podem conduzir também. E o fazem muito bem. Mas não é (ou não deveria ser) seu instinto básico.
Seguem diversas raças com uma gradação decrescente no instinto de arrebanhar como Pumi, Australian Shepherd, Pastor catalão, Pastor Alemão, etc. até que temos as raças de “condução” ou “empurradores”.
O tipo “empurrador” é mais agressivo e sua vontade básica é empurrar (conduzir) os animais tendo seu líder ao lado. São mais agressivos e menos versáteis. Caso dos Australian Cattle Dog, Pastor Alemão e Welsh Corgi.

O tipo “protetor” não se interessa em movimentar o rebanho. Apenas está junto a eles para protegê-los de agressores como lobos e ursos, caso das raças Maremma e Kuvasz.

Os primeiros são “caçadores”, os segundos “matadores” os terceiros “defensores”. Três personalidades distintas que podem conviver num mesmo grupo, como numa alcatéia de lobos, por exemplos. Três funções distintas que alguns indivíduos assumem num grupo. O homem soube selecionar e dividir esses indivíduos com essas aptidões e formaram com eles raças diferentes. Mas que importa isso tudo?

Comportamento Inato x Aprendizagem

 Tanto Glyn Jones (no livro “A Way of Life”) quanto John Templeton (ver sua obra “Working Sheep Dogs”), dois britânicos mestres em adestramento de Border Collies, falam que quando soltam filhotes de Border pela primeira vez no rebanho observam que eles podem ter basicamente três comportamentos distintos. Ou param hipnotizados olhando fixamente o rebanho, ou partem como loucos explodindo o rebanho e tentando morder o primeiro animal que esteja ao seu alcance, ou circundam o rebanho tentando agrupá-los. O primeiro é do tipo que espreita, que faz emboscada. Ele prepara o bote com paciência, a espera de um descuido da “´presa” Mas isso o imobiliza demais. O segundo são geralmente dominantes e querem ser os alfas, os matadores. Os terceiros são caçadores colaboradores, querem cercar.



Testando filhotes de Border com 50 dias de idade: à esquerda o filhote cercando o rebanho, à direita o mesmo filhote espreita o rebanho agora parado.( foto Alexandre Figueiredo)

 

Todos podem ser ótimos cães de pastoreio, apenas é preciso mostrar-lhes que a função de matador, de alfa, já esta preenchida. Essa função é do Homem, o seu dono e líder. Depois é treinar o cão tendo em vista o seu temperamento próprio e condicioná-lo a cumprir sua função de colaborador.

Quando se observam filhotes com esses distintos comportamentos “inatos” é preciso perceber que eles estão a demonstrar que tipo de personalidade lhes é mais acentuada. Se de líder, de colaborador ou de intermediário. Isso implicará no tipo de resposta que esses cães darão quando se iniciar o treinamento. Mas não se pode esquecer que isso é apenas uma tendência, não uma condenação. Também é necessário testar quão persistente e robusta é essa tendência. Um cão com temperamento de liderança pode deixar de o ser nas primeiras frustrações. Outro, com tendência colaboradora, pode experimentar ser líder e gostar. De uma maneira simplista diz-se que em uma matilha de lobos (ou grupo qualquer de animais sociais) há sempre um líder, chamado alfa. Quando um macho jovem com a tendência de liderança se confronta com esse alfa haverá um combate. Uma simples rosnada do alfa pode abrandar sua tendência, se for ela fraquíssima. Pode ser preciso mais, como mordidas ou luta violenta. Talvez, mesmo machucado por ser mais fraco ou inexperiente, o jovem não desista de ser líder e volte à carga mais tarde, insistindo. Se um dia ele ganhar se tornará o novo alfa. Talvez acabe morto antes, talvez desista depois de muitas lutas. Se a última hipótese ocorrer, ou ele abandona o grupo ou se torna colaborador. Mas digamos que o grupo esteja hierarquicamente estabilizado quando num acidente o alfa morre. Um colaborador com tendência de líder irá tomar o seu lugar. Supondo ainda que um pequeno número de colaboradores se perca do grupo e se veja repentinamente sem líder. Logo um colaborador irá experimentar a liderança e se gostar e tiver capacidade irá se tornar o alfa. Isso tudo para demonstrar que todos podem cumprir todas as funções. Uns mais naturalmente, outros levados pelas circunstâncias ambientais (treinamento, por exemplo). Ter um filhote de Border com forte e robusta tendência de liderança é ter uma provável dificuldade de fazê-lo colaborar. Mas talvez ele tenha mais iniciativa e autonomia quando estiver trabalhando sem comando, fora da visão do dono. Talvez ele saiba como se impor melhor aos bois ou carneiros rebeldes, situação em que autonomia e determinação são imprescindíveis. Não é difícil perceber que acontecerá o contrário com o filhote que desde o início se mostra um colaborador. Neste caso incentivar sua auto-confiança é a grande tarefa do treinador.
Cada treinador deve escolher que tipo de cão lhe convém. E cabe entender também a personalidade do cão e saber com conduzi-la para que o treinamento tenha sucesso. Deixar um líder solto, sem treinamento adequado, pode fazer dele um insubordinado ou tirano. Massacrar com exigências excessivas um filhote colaborador pode fazer dele um animal inseguro, dependente e sem iniciativa.
Não importa tanto se um cão é matador ou arrebanhador natural. Importa mais saber se ele tem interesse intenso no rebanho, se reage aos movimentos dos animais e se é capaz de assumir outras atitudes quando exigidas pelo dono, isto é, se ele se submete ao dono e se aprende com facilidade qual sua função e como exercê-la. Alguns treinadores preferem cães “matadores”, outros “arrebanhadores”.


Filhote de Border com 60 dias de dentro de seu canil atento a animais que se movem a dezenas de metros. Será ele, no futuro, um bom cão de trabalho?.( foto Alexandre Figueiredo)

Embora se possa ter uma idéia sobre o futuro um filhote nas primeiras largadas, não se deveria nunca formar uma opinião definitiva. O risco é pensar que um filhote, porque amarra ou ataca nos primeiros contatos com ovelhas, será necessariamente um cão excelente. Se, nos primeiros contatos com um rebanho um filhote fica amarando com forte mirada, ele apenas está igual a um cão Pointer, raça que nada tem a oferecer ao trabalho de um pastor. Se ele se mostra um cão agressivo, tentando morder com violência, também nada se pode concluir. Um Pitbull faria o mesmo. Mas pra que serve um Pitbull num trabalho de campo? Um cão de pastoreio deve ser mais que uma mirada forte (power eye) e valentia. Ele deve ser inteligente, treinável, colaborador e sobretudo ter características peculiares dos bons cães da raça: ter bom balanço e saber entender e aprender com o rebanho. A verdadeira potencialidade de um cão, portanto, só pode ser realmente verificada depois de algum treinamento, e mesmo assim é somente potencialidade.

Conclusão

Mesmo sendo de um grupo totalmente diverso do grupo de cães de caça, o Border Collie é, em sua essência, um caçador. Um caçador cujo instinto se encontra abrandado e desviado, parte pela seleção, parte pelo treinamento. Porem ainda é um caçador. Por isso é preciso cuidado para que o pastor que queremos não se torne um caçador brutal ou um matador. A dificuldade é esta: Não deixar que prevaleça o atávico instinto de caçador, ou pior, de matador, ao mesmo tempo em que não se deve deixar se perder totalmente esse instinto, a tal ponto, como freqüentemente se observa, que ele se torna um anulado, sem iniciativa, sem objetivo, sem propósitos em suas ações. Treinar é como aplicar uma essência curativa, uma droga, que mal dosada pode matar o paciente ou não fazer efeito algum sobre doença.

 


Foto: Denver Bryan

De acordo com as observações de Norman Carr, guarda de caça no Parque Nacional de Kafue, norte da Rodésia (África), os leões formam grupos de 15 a 45 semelhantes de diversas idades. São liderados por um macho que se impõe vencendo seus companheiros pela luta.
O macho líder é responsável pela manutenção da estrutura do grupo e pela coordenação das ações de caça aos outros mamíferos de médio e grande porte (antílopes, búfalos, gnús, zebras, etc.). Quase sempre, a caça é o resultado de uma ação planejada e levada a efeito por um grupo de várias leoas e o leão líder.
Norman relata que por várias vezes observou um leão líder postar-se imóvel tendo o vento seguindo dele para um grupo de antílopes reunidos pastando na savana. Sua presença, notada pelos antílopes, tinha a função de distraí-los do cerco preparado por mais de uma dezena de leoas formando cuidadosamente um círculo e vindo pelo lado oposto, sem serem percebidas por causa da direção do vento. No momento certo o leão salta em direção aos antílopes que assustados correm desordenadamente em direção às leoas que freqüentemente conseguiam caçar até dois animais. Quando essas leoas notam que algum animal mais frágil não se isola do grupo por não conseguir acompanhá-los, elas percebem que esse é o animal que deverá ser abatido, então a excitação cresce assim como aflora o instinto de matar e saltam sobre ele. Isso talvez explique porque um Border Collie fica tão excitado quando uma ovelha se desgarra do rebanho e muitas vezes o cão em vez de fazê-la retornar ao rebanho acaba por tentar mordê-la. Seria o atávico instinto de caçador?

 

Autor: Alexandre Zilken de Figueiredo - azfigueiredo@terra.com.br

 


 

 

Ferramentas de Trabalho – O Cão de Pastoreio


Só quem vive a realidade do trabalho com rebanhos pode avaliar adequadamente a importância de se ter formas de redução de esforços e de stress em seu dia-a-dia. A rotina é quase sempre árdua, cheia de riscos e depende de muito conhecimento e dedicação.
Pastorear, para quem não está habituado com o “português campeiro”, significa agrupar, conduzir e cuidar de rebanhos.Trata-se de um “jogo de pressões” e leitura das situações. Fazer com que o rebanho  se desloque ou permaneça em um certo local depende de muita técnica e de um certo “poder de convencimento”; muita linguagem corporal e posicionamento correto. É ai que um bom cão de trabalho faz a diferença e não tem preço.
 Em meio a essa realidade, muitas raças caninas foram selecionadas para auxiliar o ser humano em seu trabalho. No mundo todo e há muito tempo se ouve falar de cães que trabalham ao lado dos pastores (pecuaristas). Assim, não se trata de algo novo, alias é milenar; a novidade está nas técnicas de seleção e treinamento dos cães e nas formas de aplicação de suas aptidões.

Pastoreio do Brasil

Foto 1: Claudinir Carfaro e Foto 2: Keila Arruda

Território de dimensões continentais, o maior rebanho bovino do mundo, caprino e ovinocultura em franca expansão e a eterna busca pela redução de custos de produção. Esse é o retrato da pecuária brasileira de hoje e, é nesse meio, que os cães aparecem como fortes aliados. Contudo, sempre prevaleceu uma forma muito rudimentar, quase somente intuitiva, de selecionar e treinar cães de pastoreio. Até o momento em que foram trazidos para cá treinadores renomados dos EUA e Europa. Contam os mais antigos, que foi através de Thomas Baungartner – falecido pecuarista do noroeste de S.Paulo – que Ray Moss – ex-oficial da força aérea norte americana e treinador de cães - , em 1995, promoveu os primeiros cursos para a formação de treinadores de cães de pastoreio. Ao mesmo tempo, no sul do Brasil, surgia o trabalho de André Camozzato, importando cães dos EUA, em 1994, e iniciando seu pólo de difusão.
Outra forte influência foi o trabalho de Carlos Taboga (Brotas-SP) e de seu cão Sheik – filho de Lash, trazido por Ray Moss - e Pink - de Francisco M. Fernandes. Treinador de cavalos, Taboga utilizou Sheik em sua rotina de trabalho e aprimorou seus conhecimentos em um curso com Ray em 1996. A linhagem de Lash é referencia no Brasil até hoje, através de seu filho Sheik e de seu neto Nick, entre outros. Há, também, a família de Diomário Faustino Dias Barros, que desenvolve um importante trabalho de aprimoramento genético; cria e importa cães europeus e promove provas e eventos “ Nunca fui adepto de misturar cães e gado, mas isso é passado. Mudei radicalmente de opinião ao conhecer a fundo essa atividade” – afirma Diomário – MS. Paralelamente, dezenas de criadores e treinadores foram formados e, hoje, a grande maioria dos estados brasileiros possuem pessoas ligadas a essa atividade. O estado de São Paulo responde por mais de 80% das atividades relativas ao pastoreio (criação, treinamento e provas ) e regiões como a de Presidente Prudente, Marilia, Campinas e Sorocaba destacam-se.

“Esporte clube pastoreio”

A ISDS, fundada em 1906, é a principal sociedade de registro de cães de pastoreio em todo o mundo.
Estima-se que cerca de seis mil pessoas assistam as provas de seu campeonato , cada evento, em média, com 150 cães.
No Brasil esse trabalho é da ABBC e suas afiliadas regionais. Foto: Claudinir Farfaro
Em todo o mundo, são freqüentes as realizações periódicas de feiras, exposições e leilões de animais. Há mais de um século, o encontro dos pecuaristas europeus e seus cães de trabalho, fomentou a disputa entre eles. A busca pelo reconhecimento como melhor produtor também se estendeu para a questão dos cães. Baseadas nos procedimentos do dia-a-dia com o rebanho, competições passaram a ser organizadas e não tardou para surgirem os primeiros campeões. As “Provas de Pastoreio” como são chamadas aqui, – hoje envolvem disputas regionais, nacionais e até um mundial. No Brasil, a história é mais nova e teve caminhos diferentes. As provas surgiram de um restrito grupo de pessoas que buscavam aprimoramento técnico e divulgação da atividade. Mais de dez anos depois (nov./2005)  foi fundada a ABBC – Associação Brasil Border Collie, com o objetivo de institucionalizar a atividade e promover sua internacionalização junto a ISDS - International Sheep Dog Society.  - “ A ABBC associou-se a ISDS em janeiro de 2006 e, junto com países como Áustria, Inglaterra, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda e Escócia, buscamos fazer parte do ISDS Stud Book. Para isso, temos que aprimorar nossa seleção genética e cumprir exigências como: os testes de aptidão em trabalho; controle de Displasia Coxo-femural e exâmes de CEA (Collie Eye Anomaly) e PRA (Progressive Retinal Atrophy)”. Informa, André Camozzato - Presidente da ABBC – RS.
 - “Em 2008 ocorrerá o “WORLD TRIAL” – mundial de pastoreio - e a ABBC recebeu o convite para participar com 2 cães. Resta, ainda, vencer as barreiras sanitárias para podermos enviar, ao País de Gales, nosso Campeão e Vice-Campeão do Campeonato Brasileiro de Pastoreio 2006. - afirma André”.


Prova de cães de pastoreio no início do Século XX.
Domínio e atenção total do cão sobre o rebanho sem deixar de ser obediente ao dono.

Questão de Escolha

A escolha do cão ideal para o pastoreio requer muita informação e estudo sério de seleção genética. “Muitos padrões oficiais de raças apontam aptidões para o trabalho, porém, é bom observar que não se trata somente dessa ou daquela raça, mas de indivíduos dentro de cada raça – afirma Keila Arruda – co-proprietária do Canil Wolf´s Garden – SP.
São muitos os casos de descontentamento daqueles que compram cães por impulso ou por julgarem mal as opções. A escolha certa é fundamental. Segundo Nery Dornellis “No Brasil, muitos criadores de cães de pastoreio, selecionam seus reprodutores a partir de resultados de competições (esporte ), coisa que também vem ocorrendo na Europa; outros nem seleção fazem. Esquecem que a criação desses cães deve ir de encontro à necessidade do trabalho no campo. Por sorte, alguns ainda mantêm um critério de seleção mais tradicional e correto”.


A genética certa e bom treinamento constroem o perfeito cão de trabalho. Foto: Keila Arruda

As principais raças

Border Collie - A ISDS, na Inglaterra, registra cerca de 6,5 mil Borders por ano. Nos EUA também há várias entidades que registram exclusivamente Borders. Apenas uma delas, a North American Sheep Dog Society, registra 1,4 mil cães por ano.
Australian Cattle Dog - Mais conhecida pelo nome de suas colorações (Blue Heller e Red Heller) e erroneamente chamada de “Bull Heller”, é umas das raças mais difundidas no meio rural.
Australian Kelpie - Aliando força, técnica e atitude eles desempenham o trabalho diário com ótimos resultados. Adequadamente treinados e ligados a rotina da propriedade trabalham com animais de pequeno e de grande porte.
Pastor Alemão - Multifuncional. Essa é a melhor definição para os verdadeiros Pastores Alemães. É certo que, ao menos aqui no Brasil, isso também ajudou a afastar a raça do pastoreio propriamente dito.
Cão da Serra de Aires -  pastor português da Serra de Aires.
Cão de bestiar - origem: Espanha;  Ca de Bestiar Mallorquin; Lupóide de Saarloos - origem: Holanda
Mudi - origem: Hungria;
Old English Sheepdog - origem: Grã-Bretanha
Pastor Belga - Groenandel, Malinois, Tervueren, Laekenois - origem: Bélgica.
Pastor bergamasco - origem: Itália; nome de origem: Cane da Pastore Bergamasco
Pastor catalão - origem: Espanha
Pastor croata - origem: ex-Iugoslávia; nome de origem: Hrvatski Ovcar
Pastor da Rússia meridional - origem: Rússia; nome de origem: Ioujnorrousskaïa Ovtcharka;
Pastor de Anatólia - origem: Turquia;
Pastor de Brie - origem: França
Pastor de Shetland - origem: Grã-Bretanha; nome de origem: Shetland Sheepdog
Pastor dos Abruzzos - origem: Itália; nome de origem: Cane da Pastore Maremmano-Abruzzes
Cão dos Pirineus - origem: França; nome de origem: Berger des Pyrénées;
Pastor holandês - origem: Holanda; nome de origem: Hollandse Herdershond;
Pastor maremmano-abruzzi - V. Pastor dos Abruzzos.
Pastor polonês de Podhal - origem: Polônia; nome de origem: Polski Owczarek Podhalanski;
Puli - origem: Hungria
Pumi origem: Hungria
Spitz dos visigodos - origem: Suécia; nome de origem: Västgötaspets
Welsh corgi cardigan - origem: Grã-Bretanha
Welsh corgi pembroke - origem: Grã-Bretanha

 

Canil Wolf´s Garden - www.nossocanil.com.br
Divisão de cursos, treinamentos e adestramentos

Fonte: The DOG TIMES - www.dogtimes.com.br

 

 

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